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quarta-feira, 24 de junho de 2015

Um biólogo na maratona - Por Cristiano Silveira*

*Com contribuições de Rodrigo Troyack

Correr uma maratona é também uma oportunidade de rever os conhecimentos adquiridos no campo das Ciências Biológicas. 

A anatomia, por exemplo, é constantemente evocada. Fáscia plantar, banda iliotibial, articulação coxofemoral, gastrocnêmios... é bom você saber esses nomes e saber como prevenir lesões nesses lugares antes que um ortopedista tenha que lembrá-lo daquelas aulas que você faltou porque, afinal, a disciplina era eletiva.

Os conhecimentos de bioquímica te fazem lembrar que os treinos mais longos (aqueles com mais de 21km) costumam promover proteólise, que é a conversão de alanina em glicose, a partir do ponto em que ocorre depleção total dos estoques hepático e muscular de glicogênio, e a gordura também já foi bastante consumida, não sendo capaz de assumir a responsabilidade fisiológica pelo fornecimento de glicose aos músculos por meio de lipólise e beta oxidação de ácidos graxos livres na matriz mitocondrial da fibra muscular. 


Nesse caso, o músculo lança mão da proteólise, quebra a molécula de alanina em partículas menores, que são transportadas via corrente sanguínea até o fígado, onde ocorre a transaminação e transformação da alanina em glicose, para continuar fornecendo energia aos músculos. O lactato vai se fazer lembrar por alguns dias após as provas mais longas.

Da fisiologia, trazemos os conceitos da hiponatremia, da desidratação, da regulação do calor corporal. Descuidar deles pode significar o colapso do corredor.

Por fim, talvez você constate que não tem a predisposição genética para corridas longas. Pode ser que você não tenha as mutações certas nos genes certos. Não importa, o importante é que a atividade física diminui as chances de uma predisposição genética ruim (como a obesidade, diabetes, câncer...) se manifestar mais cedo.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Passos largos na corrida contra a fibrose cística

Quando idealizamos este blog, a pretensão era somente compartilhar a experiência de corredores com problemas de coluna na preparação para a primeira maratona. Não perseguíamos audiência, mas ela foi crescendo e veio a necessidade de dar um tapa no visual, até para atrair colaboradores mais ilustres, como o amigo Cristiano Silveira, que, em 2011, fundou a Equipe de Fibra para mostrar que quem tem fibrose cística também pode correr. E mais: encontrar na atividade física uma aliada contra essa doença que afeta os sistemas respiratório e digestivo. Conheça mais sobre esse belo projeto que já tem um maratonista na equipe!


Cristiano Silveira e o argentino Marcos Marini

Correr uma maratona, seja qual for a motivação, já é um desafio e tanto para qualquer pessoa. Correr uma maratona superando as limitações de uma doença respiratória é certamente um componente a mais. Essa é a história de Marcos Marini (30), educador físico e jornalista argentino que participa de provas pelo mundo divulgando os benefícios dos exercícios físicos no tratamento da fibrose cística, doença genética que afeta especialmente os sistemas respiratório e digestivo. Nos pulmões, ela provoca o acúmulo de secreções mais espessas que o normal, o que obriga o corpo a um esforço adicional para eliminá-las das vias aéreas. A pessoa com fibrose cística perde até seis vezes mais sódio no suor do que as pessoas normais, o que faz com que tenha que repor eletrólitos durante a prova para não sofrer um tipo perigoso de desidratação conhecida como hiponatremia.

Foi pensando em divulgar a doença que, em 2011, Cristiano Silveira (41), biólogo, fundou a Equipe de Fibra, um projeto do Instituto Unidos pela Vida que acabou ganhando todo o Brasil e reúne pais, amigos e pessoas com fibrose cística nas provas.

O próximo encontro? A Maratona do Rio, em julho, que vai levar dezenas de atletas da equipe às provas de 42, 21 e 6km. Na véspera, como de praxe, o grupo deve reunir pais e pessoas com fibrose cística para uma palestra sobre o uso dos exercícios como parte do tratamento da doença. A palestra deve contar com a americana Emily Shaller, da Rock CF, projeto semelhante à Equipe de Fibra.

Cristiano correrá acompanhado da esposa, Marise Amaral (47). Será a primeira vez que o casal correrá os 42km e, para isso, estão se preparando desde o início do ano. O filho deles, Pedro (10), tem fibrose cística e vai correr os 6km da Family Run na companhia do fisioterapeuta Flavio Ponte, seu professor de Pilates.

Você pode conhecer melhor o projeto em unidospelavida.org.br/category/equipe-de-fibra ou no Facebook https://www.facebook.com/groups/520699457976755/?fref=ts

"A Fibrose Cística é parte do que somos, não o limite do que podemos ser"