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domingo, 24 de maio de 2015

Enfim, nosso primeiro treino

E finalmente treinamos juntos, eu, Isabelle e Tarso, que voltou de contusão no pé. Foi no último sábado (23/5), no Recreio, onde largaremos no dia 26 de julho, rumo ao Aterro, por 42km. Fui escalado pelo trio para contar como foi.

Tarso, Isabelle e eu

Foi o primeiro treinão da Upsports Club para a prova, no meu caso o terceiro de 25km; da Isa, o segundo; e do Tarso, o primeiro pensando na maratona (pois já havia feito esta distância em outro treinamento).

Saímos da Praça do Pontal rumo a Grumari. Foi pedreira, já que encaramos um sobe e desce logo no início do treino. Não fomos até Grumari, pois achamos a última subida pesada para quem ainda tinha que encarar muitos quilômetros pela frente debaixo de sol.

No início, estávamos muito devagar, mas a Isa logo nos colocou no eixo. O Tarso nos distraía com suas inúmeras histórias e lembrando cada quilômetro que completávamos. Isa ouvia mais, não gosta muito de conversar correndo.

Ao retornarmos para a base, hidratamos e seguimos adiante na outra direção. Quando regressamos ao ponto de partida, ainda faltavam 8km e o treinador Rossy Borges resolveu nos acompanhar. Fomos novamente em direção a Grumari, porém, retornando antes.

Quando estávamos perto da base novamente, eu e o Tarso apertamos o passo, cientes de que a Isa estava com o Rossy. Eu fiz isso porque queria acabar logo...rs O Tarso porque está trabalhando o chamado split negativo para melhorar no fim.

Passamos um pouco da base, já que ainda faltavam 2km, e voltamos em um sprint final, fechando o último trecho em ritmo de 5min30/km. O pace médio foi de 6min24/km, mais ou menos o que pretendemos imprimir na prova.

Foi um bom aprendizado para testarmos nossas companhias. Afinal, o objetivo é largar e chegar juntos. Eu, por exemplo, vi que posso ligar o som como incentivo só a partir da metade da prova, pois dizem que, nesse ponto, a situação aperta e ninguém aguenta mais conversar. Então, provavelmente não terei mais o Tarso me distraindo...kkk Será? ;)

domingo, 10 de maio de 2015

Minha primeira maratona - Por Rossy Borges

O blog inaugura um espaço para corredores, conhecidos ou não, compartilharem como foi sua primeira maratona, do treino à prova. Para facilitar a identificação dos leitores, os textos serão sempre publicados com o título "Minha primeira maratona - Por Fulano de Tal", como se fosse uma coluna de convidados. A estreia não poderia ser diferente: nosso treinador Rossy Borges revive seus primeiros 42km, uma história de superação e amizade, da mesma forma que nasceu o 3namaratona.

Aos 28 anos completei minha primeira maratona. Como tudo na vida, a primeira vez a gente nunca esquece. Rssss. Já tinha feito pelo menos três meias maratonas antes de tomar a decisão de partir para a maratona. Por que fazer uma maratona? Precisava provar para mim mesmo que eu era capaz de me superar e poder transmitir essa experiência para meus futuros atletas. Escolhi a Maratona do Rio de Janeiro, a mais linda que já fiz.

Meus treinos não foram os melhores e nem tão pouco eficientes, não malhava para fortalecer minhas pernas e tronco, não fiz nenhuma restrição alimentar ou dieta e minha vida noturna era muito ativa.  Não abria mão de nada!!! Hoje, falo para meus atletas brincando com um ditado popular sobre aquela minha primeira maratona: “Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”. Lembro muito bem do meu último longão, uma semana antes da prova. Estava chovendo muito em Niterói, não tinha como treinar na rua e precisava fazer meu treino derradeiro de 25km para ganhar confiança e moral para a prova. Bom, não tive opção, fui para a academia e fiz o primeiro e único treino de 25km indoor. Depois do treino, percebi que estava quase preparado para fazer a prova. A única certeza que tive foi que completaria a prova independentemente do tempo final.


Naquele 29/06/2008, acordei muito bem e me alimentei “daquele jeito” antes de partir para o Rio. Marcamos para sair do último posto antes da subida da Ponte. Estávamos ansiosos, eu, meu amigo Israel e a guerreira Vandinha. Quando chegamos no Recreio, definimos os últimos detalhes da estratégia e largamos rumo ao Aterro do Flamengo.

Nada como fazer provas com amigos e parceiros. Foi assim na minha primeira maratona, juntos nós curtimos pelo menos os 21km da prova. O Israel (paulista) contava piadas até o km 21. Tudo era lindo e maravilhoso e fácil demais!!! Rssss... Até que chegou o viaduto da Barra, começava a sentir minhas pernas mais cansadas devido à ausência do treinamento de força específico. Lembro também que levamos um spray (tipo gelol) para dor, coloquei no meu joelho que já estava doendo. Israel e Vandinha passaram nos joelhos e na lombar, respectivamente. 

Aproximando de São Conrado e Niemeyer, perdemos Vandinha que passou a diminuir o ritmo por conta das dores. Prosseguimos eu e Israel e víamos Vandinha no retrovisor. No final da Niemeyer, Israel pediu um tempo para caminhar e depois voltar a correr. Falei que não, era para ser forte e suportar a dor até o fim. Já tínhamos cruzado Leblon e Ipanema, quando foi a minha vez de pedir para caminhar, já não aguentava de dor e foi o Israel que me pediu naquela vez para aguentar, que faltava menos de 15km para fecharmos a prova.

Já em Copacabana, comecei a sofrer, gritei para mim mesmo: “Dor filhadap... vou te vencer, não estou sentindo mais nada!!!!” rssss... Meu corpo estava pedindo para parar e minha mente falava: “Continue, falta pouco, vá em frente!!!” Comecei a chorar e pensava somente nos meus pais que naquela hora já estavam na linha de chegada me esperando. Cruzamos Copacabana e Vandinha reapareceu!!! Tentei puxá-la para que nos acompanhasse até o fim, mas ela sentia muito o peso das pernas e desistiu de ir com a gente. 


Entramos no Aterro do Flamengo. Diferentemente dos primeiros 21km, já não falávamos mais um com o outro (eu e Israel). A concentração era máxima para que finalizássemos a prova. A dor já tínhamos superado e faltavam menos de 5km para completar a minha primeira maratona da vida. Avistando o pórtico de chegada, lá estavam minha família, amigos e atletas. Fechei com o tempo de 5 horas e menos de 10min. Uma experiência única de superação e controle do corpo e da mente. Claro, fiquei uma semana quase sem andar direito. O Israel completou a prova na minha frente com um super sprint paulista e Vandinha chegou alguns minutos atrás.  Após a minha primeira maratona, decidi fazer as seis maiores do mundo, faltam apenas três.

Abs,

Rossy Borges

Treinador e Diretor Técnico da Upsports Club