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domingo, 29 de maio de 2016

O santo spray de incentivo

Hoje tive oportunidade de correr a Maratona do Rio por dentro, digo sem ter a missão de completá-la. Combinei de correr os últimos 10km da prova com o amigo Tarso, que me acompanhou nos primeiros 42km no ano passado. Em 2015, eu me superei e corri lesionado. Dessa vez, foram o Tarso e outros guerreiros.

Cheguei cedo no Mirante do Leblon, saída da Avenida Niemeyer, e logo descobri que dali seriam 12km e não 10km até a chegada. Enchi as garrafas do cinto de hidratação com água e sentei no meio-fio à espera. Conversei uma parte do tempo com outro corredor que também acompanharia um colega. Naquele momento, avistávamos os atletas em ritmo de 5min/km, disse ele.

Não demorou para surgir o Jorge, da nossa equipe, a UpsportsClub. Ele fechou os 42km em 3h36min. Fiquei menos ansioso, pois sabia que o Tarso não havia passado. Fui para pista e cumprimentei o Jorge, orgulhoso de ter um amigo tão rápido. Depois, fiz o mesmo com Alex, Carla e Jesus. Foi muito boa a sensação de incentivar as pessoas, não apenas os amigos.

Era mais de 11h quando avistei o Tarso. A essa altura, sabia que ele estava devagar por causa da dor na coxa. Mas fiquei mais aliviado ao ver que não estava sozinho. Natália, também da nossa equipe, o acompanhava. E fomos juntos até ela encontrar o noivo em Copacabana. Tarso chegou bem-humorado. Ou seja, estava normal...rs

Levei um spray anti-inflamatório para o caso de a situação dele apertar. E acabei ‘salvando’ outros pelo caminho. O Tarso mesmo só aceitou o spray de tanto eu insistir e chamá-lo de teimoso.

Salvar, na verdade, é um exagero. Foi mais o lado psicológico, pois junto com o spray vieram as orientações de alongamento e palavras para não desistir. O primeiro que o ‘doutor’ aqui atendeu foi quando ainda esperava o Tarso no meio-fio. O sujeito sentou do meu lado e falou que não aguentava mais sentir câimbras. Falei que o pior havia passado, que também havia corrido com dor minha primeira maratona, como era a dele. Ele se alongou, recebeu o spray mágico (rs) e prosseguiu.

O segundo estava estirado na pista, sendo amparado por outros atletas, creio que já em Ipanema. Também reclamava da panturrilha. Ofereci o spray e ele agradeceu dizendo que eu era um “anjo” que mandaram em sua corrida. Caramba, pensei... Esse spray é mágico mesmo!

Na transição de Copacabana para Botafogo, na entrada do túnel, mais um estirado. Sentia demais a coxa e era socorrido por outro atleta. Usei o spray mais uma vez, falei palavras de incentivo (faltava pouco) e o levantei do chão.

No túnel seguinte, percebi que outra pessoa caminhava com muita dificuldade. Ofereci o santo remédio e ele não entendeu. Era gringo...kkk Expliquei o que era e aceitou.

Dos que eu ajudei no caminho, esse último consegui ver terminar a prova, correndo! Espero que os outros tenham concluído e tantos outros para quem simplesmente falei “vambora” e a pessoa logo retomava a marcha.

Foram extremamente gratificantes esses 12km. E pude ver de fora a emoção da chegada que já senti duas vezes. São todos guerreiros.

Natália e Tarso

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Correndo por aí (II) : Quissamã, RJ

Após um breve período de volta ao trabalho, eis que chega o carnaval e com ele novamente uma viagem com a família, desta vez para Quissamã, município do norte do Estado do Rio de Janeiro.
A cidade, de pouco mais de vinte mil habitantes, além de muito tranquila e organizada, é muito importante por conservar patrimônios históricos relacionados à produção de açúcar do Brasil.

Continuando meu exercício antropológico iniciado com Tegucigalpa, pude ver que a cidade contém uma malha cicloviária importante e muito usada pela população, devido à escassez de transportes públicos. No entanto, não vi outra pessoa que não eu a praticar a corrida pelas ruas do município.

Estive todo o tempo hospedado na Praia de João Francisco. A via de acesso mais utilizada é uma estrada asfaltada de cerca de 8km. Ela foi minha única alternativa para me manter ativo.

Comecei apenas na segunda-feira de carnaval, pois temia a quantidade de motoristas alcoolizados na via. Escolhi a data, pois neste dia quase todos se concentraram no Centro para o bloco das piranhas. Eu não perdi essa e, após retirar meus trajes femininos, enfrentei o desafio, que repeti na quinta-feira e que pretendo repetir amanhã  (minha despedida com um longão de 12km).

Apesar da falta de asfalto e das placas avisando sobre os animais silvestres e as cobras (??!!!) ocasionais na pista, pude me manter concentrado ao máximo. Ao fim obtive nos dois treinos tempos muito bons.

Foi a chance para experimentar meu novo par de tênis, provável companheiro para a maratona: o Brooks Ghost 7. Confesso que já o considero o melhor tênis de corrida que já tive em todos estes anos correndo. Meus novos pares de tênis serão tema de uma pastagem próxima.

Termino por aqui dizendo que agora me sinto definitivamente próximo da prova (apenas 16 semanas) e preciso me concentrar de vez neste novo desafio, que é mais difícil do que o do ano passado, pois agora a Maratona não é mais uma novidade. Focar-me nisto está muito difícil, eu confesso. Espero que o Rodrigo possa voltar logo pra gente botar o papo em dia (rsrs).

Um abraço e até logo!

Vista da estrada que liga o centro de Quissamã à Praia de João Francisco 

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Pernas pra que te quero


Quando comecei a escrever no blog, pensei: “como arrumar tanto assunto sobre corrida?”

Mas você começa a viver esse mundo do esporte e percebe que há muito mais que pensava.

Por exemplo, decidi me enfiar numa prova que é só descida, não pela facilidade aparente, mas porque vou visitar amigos no Canadá, onde a corrida acontece. Depois descobri que muitos participam dela para se qualificar para a Maratona de Boston.


Ao contrário do que a maioria deve pensar, descer não é tão fácil quanto parece. E eu resolvi pesquisar a respeito, pois tinha quase certeza que corria errado, ‘me segurando’. Aliás, corro. Tinha razão.

De tudo o que eu li e vi sobre a mecânica, o mais elucidativo foi um vídeo da soürun. Em resumo:

- Frear acentua o impacto;

- O correto é aumentar a frequência das passadas, diminuindo o tempo de contato com o solo, vejam no vídeo:


Ao menos para mim, descer parece bem mais complicado que subir. Vamos aos treinos!

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Correndo por aí: Tegucigalpa

Não sabia como seria minha vida pós-maratona. Muita coisa se passou desde o glorioso 26 de julho: muito repouso para curar lesões, problemas com medicamentos de uso contínuo, muita preguiça, muitos quilos que ganhei, mas muita alegria por estar vivo.

Desde o início de dezembro venho tentando retomar os ritmos dos treinos: sem sucesso. Seja por conta dos filhos, pela correria da entrega dos diários na escola ou pela hérnia que insiste em avisar que permanece viva por ali.

Este ano partimos de viagem para Honduras, na América Central, a fim de ver a família e celebrar mais um ano de vida da minha pequenina.

Em homenagem ao sétimo aniversário da minha mais velha decidi sair finalmente para correr. Após muito conversar com familiares, decidi fazer o que fazem todos por aqui: correr na pista de corrida do Estádio Olímpico de Tegucigalpa.

Ué, mas as pessoas não correm nas ruas por aqui não? Pois é, as ruas são praticamente desertas, pois a sensação de insegurança é grande e permeia a sociedade. Tegucigalpa, segundo dados recentes, tem a sexta maior taxa de homicídios do mundo 79,42 homicídios por 100 mil habitantes. Por isso, os carros tomam conta das ruas, pois, para piorar, o transporte público é péssimo e deficiente, além, claro, de inseguro.

A cidade não é muito diferente das nossas no Brasil e, a despeito de toda a fama adquirida por Honduras no cenário mundial (outra grande cidade hondurenha, San Pedro Sul, no norte do país, é a líder do ranking), nunca tivemos problemas em todas as vezes que visitamos o país. 

De toda forma, a pista de atletismo do Estádio Olímpico está nova em folha, havia policiais por todas as partes e as pessoas eram muito agradáveis (como sempre).

Pude, afinal, fazer meu primeiro treino do ano rumo à segunda maratona, uma corrida de 40 minutos ao redor da pista de 400 metros. Voltei cedo,  a tempo ainda de acordar minha filhota ao som de "Las Mañanitas".

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Minha primeira maratona - Por Marise Basso Amaral

A primeira Maratona a gente...
...cansa muito, acha que não vai chegar, fica com medo.

Dá frio na barriga antes, durante e depois. Ficamos muito ansiosos na véspera. Vamos dormir pensando que temos que dormir e aí mesmo que não conseguimos. Temos que comer bem, aí vem aquela vontade de comer um saco de Amandita (delícia!). Vem aquela dúvida: " será que vou dar conta?", vem um momento que a gente acredita que poderá fazer até um tempo legal, que pode ser mais fácil do que parece (não é, pelo menos não ainda...) depois vem o pânico de nem terminar. Na verdade, ninguém sabe o que vai acontecer até a gente começar a correr e ir em frente quilômetro a quilômetro.

Confesso que escrevendo agora, depois de ter terminado a Maratona de domingo, me vem uma sensação esquisita... Acabou mesmo? Não tem mais treino? Não vou mais correr com a Isabelle atrás do Marcio e do Cristiano? Credo! Vou poder dormir no sábado de manhã! Acabou! Tão rápido!!! (praticamente 5 horas). 

Venho escrevendo sobre nossos treinos, sobre as corridas, sobre as pessoas que fazem a Equipe de Fibra, sobre o que a corrida tem significado pra nós. Mas, agora que acabou a Maratona, se instalou uma espécie de quietude, acho que é mesmo a sensação de que a gente fez algo bem especial, sem excesso de vaidade nem falsa modéstia, mas aquele sentimento lá dentro,uma vozinha lá no fundo,dizendo, repetindo: "Você conseguiu! Você conseguiu!" Esse sentimento é por demais pessoal, difícil de ser compartilhado. Posso dizer que tenho dentro de mim uma emoção que não explodiu na hora, achei que ia cair em prantos, confesso. Isso não aconteceu, ela ficou toda comigo, reverberando. E acordei diferente, acordei mais humilde, mais feliz comigo e com os outros e cheia de admiração pelas pessoas. 
Pessoas anônimas que eu cruzei pelo caminho e que correndo sozinhas ou em grupo iam, cada uma a seu jeito, dando uma lição de superação, de amor à vida, de amor ao esporte, de leveza, de alegria, de esforço e determinação. Também cheia de admiração por pessoas bem próximas a mim como a Thamiris, o Douglas, o Marcus Alexandre, a Letícia, a Márcia Torres, o Marcos Marini, o João, o Rodrigo Troyack, o Rafael Grassi, meu filhote Pedro e o pai dele, Cristiano. Pessoas que dentro de seus cotidianos, projetos, trabalhos, sonhos, tratamento, escola, compromissos, criaram um espaço na vida para se dedicar a um projeto. Ver todos ali, e também a minha filha Luiza, a nossa Lourdes, a linda família do Alexandre, mais amigos queridos como a Ariane, Flávio Flavio Pontes, o Thomaz Barcellos me encheu de alegria.

Mas não seria justo se eu não falasse do que mais me faz continuar sorrindo pelos cantos, apostar em novos sonhos, e, é claro, continuar comendo batata doce. É o Pedro. Terminar a corrida com ele ontem foi a maior emoção dos 42km. Estava chegando próxima à linha de chegada e nada. Não via ninguém, não achava ninguém. Foi me dando uma agonia, comecei a ficar preocupada. Será que algo tinha dado errado? Será que o Pedro não tinha conseguido fazer bem a prova dele? Será que a Lourdes e a Luiza não tinham achado todo mundo? Puxa! É muita gente! Não tinha como dar certo... Aí eu vi um grito e vi ele correndo na minha direção com a medalha no pescoço. Tinha pulado a grade de proteção e eu soube, estava nos seus olhos, que tudo tinha dado certo. Lá estava o meu filhote com aquela alegria imensa que ele traz no peito, me dizendo: "Vem mãe, falta bem pouco, vem que eu te ajudo!"

Corri também para a grade e dei um beijo na minha filhota, que estava lá com aquele sorriso discreto, cheio de orgulho, mas que ia ficar esperando o papai passar. 

Fomos eu e Pedro correndo, cruzamos a linha de chegada, ele me levando. Disse para ele que nem acreditava que tinha acabado, ele disse que estava tudo bem, tudo ótimo. Perguntei da corrida dele, e ele disse: "Mãe, foi sensacional, eu me senti perfeito!!! Eu adorei." essa frase foi o melhor presente de seis meses de treinamento e de sei lá quantos quilômetros rodados.

Depois chegou o pai dele, correndo com a nossa filhota e foi lindo! Ela não podia estar mais orgulhosa. Ele, embora tenha demorado para se convencer disso, conseguiu correr uma maratona, treinando com muita dificuldade de tempo, fazendo treinos curtos, que cabiam na agenda, mas bem longe do ideal para uma prova desse tamanho. Ele que no fundo, é um dos principais responsáveis por tudo isso, por toda essa festa! Ele e ela juntos me encheram de orgulho! No ano que vem, quem sabe, teremos quatro medalhas....

A vida de todos nós sempre tem muitos momentos, muitas coisas difíceis e bonitas acontecem na vida de todo mundo. Nisso não somos especiais, nem melhores do que ninguém. Mas peço licença para marcar que poder subverter, em alguns momentos, uma pauta, por demais marcada na doença, na dificuldade, no trabalho que dá cuidar de alguém, ou cuidar de si mesmo, que vem com uma doença crônica, por outras, mais edificantes é uma grande vitória. E nisso poder, com integridade, ficar feliz e orgulhoso quando for o caso e também, com a mesma intensidade ficarmos apreensivos, tristes e preocupados quando a situação demanda. Aprendendo nesses movimentos, nessas alternâncias, nas nossas "Maratonas" particulares um amor à vida, ao outro e a si mesmo.

 Marise Basso Amaral corre pela Equipe de Fibra

domingo, 26 de julho de 2015

Fui para a guerra e venci

Já comecei um post assim, mas não posso deixar de fazê-lo novamente. Obrigado, Tarso. Amigo que fiz e companheiro deste blog, deixou de concluir sua prova em um bom tempo para me acompanhar e garantir que eu completasse os 42km. Não teria conseguido sem ele e Jesus, colega de equipe que também nos acompanhou.

Minha corrida foi de total superação. Há 15 dias, vinha convivendo e tentando tratar uma dor no joelho após o longão de 34km. Na quinta, antes da prova, fui testá-lo em um treino leve com o Tarso e a Isa, e senti que a coisa estava feia. Corri direto para uma clínica de ortopedia e fiz ressonância no mesmo dia. Um amigo médico conseguiu antecipar o resultado por telefone, que confirmou minha lesão, estava com edema no joelho, a três dias da largada.

Decidi fazer uma infiltração, primeiro por mim mesmo, que me impus esse desafio e treinei tanto; segundo, por todos que acompanharam a minha saga de disciplina nos treinos. Era uma ocasião especial. Se fosse a segunda maratona, acho que não correria lesionado.

No caminho para o início, no Recreio, assistimos a um vídeo, na van, que minha mulher, Fernanda Freitas, preparou, com ajuda do Rossy, nosso treinador, que colheu depoimentos de familiares aos corredores da equipe. Além desse incentivo, havia meus pais na chegada, pela primeira vez. Corri com as iniciais deles (Paulo e Isa) escritas a caneta em cada pé. Eles também escreveram uma mensagem de apoio que levei comigo para os momentos críticos, assim como a Fernanda e o meu enteado João Guilherme. Foram lidas após os kms 20 e 30, não lembro em qual km exatamente.


Dada a largada, logo começou o meu tormento mental e físico. O joelho infiltrado começou a se manifestar, quando achei que ficaria anestesiado, ao menos em boa parte da prova. Pensei em desistir nesses primeiros quilômetros. Como poderia suportar aquela dor por 42km? Mas lembrei de tudo que estava em jogo e das pessoas que acreditaram em mim. Então, insisti.

Ao completar 10km, percebi que dividir a prova em quatro trechos de 10km seria uma boa estratégia para o cérebro. Na Praia da Reserva, ainda no Recreio, havia pequenos trechos de paralelepípedo na transição do asfalto, que maltratavam o meu joelho. Mentalizei que a dor era passageira, como havia visto em um vídeo na noite anterior, compartilhado pelo Everton, treinador da equipe.

Passei a pisar de um jeito que tornasse a dor menos insuportável, o que me causou uma bolha debaixo do pé e outra dor, no glúteo, ambas do mesmo lado. Aos 15km, incrivelmente a dor no joelho adormeceu até a subida do Elevado do Joá, quando o piso inclinado das curvas a trouxe de volta. E foi assim até o fim. Quem já teve lesão na banda iliotibial sabe como é.

Na Avenida Niemeyer, mais uma subida. Cheguei a caminhar por um breve pedaço, breve mesmo, porque logo percebi que era pior para a dor e seria ainda mais difícil retomar. A essa altura, liguei o som para me dar um gás. Tarso e Jesus seguiam mais à frente um pouco, mas sem me perder de vista.

Depois que passei por Leblon e Ipanema, veio a parte mais crítica para mim: Copacabana. Ali, o tempo ficou mais abafado e o cheiro de gordura dos quiosques era forte, péssimo para quem controlou também o enjoo por toda a prova. Seguindo as dicas que li, não mirei a orla para não ver o Leme distante e abalar o psicológico. Olhava para o chão ou para os prédios à minha esquerda.

No km 37, meu enteado João Guilherme me encontrou com Fernanda. Tarso e Jesus, então, aceleraram e eu segui com João me puxando, bastante emocionado pelo encontro. Dali em diante, os poucos incentivos de desconhecidos ao longo do trajeto aumentaram e cresceu a sensação de término de prova.

João Guilherme me puxando

Quase na chegada no Aterro, Rossy me encontrou para me puxar também, mas pedi que não acelerasse, pois não conseguiria administrar. Na reta final, ele e João Guilherme tiveram que me deixar e Isabelle me levou nos últimos metros.

Avistei meus pais do lado direito, onde também estavam Fernanda e Pilar, uma amiga nossa. Levantei os braços, me emocionei pelo encontro mais uma vez, mas não desabei no choro como achei que desabaria, muito provavelmente pela dor que me incomodava e que carreguei por 42km.

Quando a corrida vira algo sério em nossas vidas, amigos e familiares gostam de te apresentar como maratonista. E eu sempre tinha que explicar que não era bem assim. Havia uma distância muito grande. Agora, estou à vontade com o cartão de visita...rs

Fui para a guerra e voltei, literalmente.

Tarso, amigo, quando é a próxima? Você escolhe!

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Gracias a la vida!



Sim, podemos fazer isso! Rumo aos 42 quilômetros!
Na última terça-feira dia 21/07, levantei como de um salto às duas da manhã.  Eu havia ido dormir antes das 22h após colocar as crianças para dormir. De repente podia ser fome, logo tomei um leite. Os minutos se passavam e eu não conseguia pregar o olho. Tentei ver um pouco de tevê: nada feito. Liguei o Kindle: negativo, sem paciência para ler. Fechei os olhos e quase imediatamente tive o que chamo de crise de ansiedade: taquicardia, um pouco de desespero e... lá estava o medo de não completar a prova. Fiz minhas orações, dormi no sofá da sala pra não incomodar ninguém e finalmente, consegui dormir.

Esta foi a primeira vez que tive uma crise de pânico ou ansiedade mais intensa desde o ano passado, quando precisei ficar de licença médica por muitos dias. Aquela situação extrema ocorrida em 2014 foi o sinal de que algo estava indo mal. 

Passado o turbilhão,  decidi voltar a praticar exercícios físicos de forma séria e daí surgiu a maratona, como uma forma de deixar a doença definitivamente para trás. A corrida, que sempre me ajudou a relaxar, aliviar minha ansiedade (exatamente como o Rodrigo trouxe anteriormente), não podia funcionar sozinha, daí a necessidade de psicoterapia, fármacos e, principalmente,  Deus.

Seja como for, passei a terça-feira feira inteira tentando entender o que acontecera. Eu havia ido da euforia à derrota em pouco tempo! Estava (e estou) tão animado com a premência da prova que nunca havia me passado pela cabeça não conseguir completar. Eu havia dito à Dani Sixel e à Fernanda Monteiro que estava preparado. E realmente estou!

Buscando explicações, encontrei algo. Em primeiro lugar, a reportagem passada no Esporte Espetacular de domingo último (veja a reportagem aqui). O corredor que teve uma parada cardíaca no km 18 da Golden Four deste ano no Rio de Janeiro. Exames em dia, treinamento completado sem problemas, 14 meia-maratonas anteriores, mas alguém que não soube ouvir o corpo, afinal tivera um cansaço antes da subida do Joá. Um médico vindo a menos de 100m atrás lhe salva a vida. Anjo da guarda? Deus? Sorte? Acaso? Fatalidade? Não sei explicar. Poderia ter acontecido com qualquer um, mas por que justo com ele? Terei eu a paciência de ouvir meu corpo? Encontrarei ajuda se precisar? Ok, lição número 1 (ou algum número acima de 1 bilhão) aprendida.

Por último, a imagem do Fabinho (um de meus ícones neste esporte tão profissional, e tão amador) quebrando exatamente a uma semana da prova. Uma lesão que apareceu no momento errado e que talvez não possa ser tratada a tempo me fez concentrar-me na minha própria queixa dos últimos meses: meus pés. Estou há um tempo sem conseguir me tratar corretamente. Minhas dores quase sumiram, mas ainda estão lá.

Por este estado de coisas, decidi não treinar ontem (terça-feira). Quero dar descanso aos meus pés e à minha cabeça.

É hora de buscar lá atrás as motivações que me fizeram correr esta distância: minha saúde, o carinho da minha família- uma forma de agradecê-los por tudo: minha mãe e meu pai, por todas as perfeições e imperfeições e por nunca desistirem de mim, meu irmão, amigo e companheiro (talvez de quem eu mais sinta falta na vida), a felicidade que é estar ligado por laços eternos à minha esposa e pelas crianças maravilhosas que me deu. Seja qual for o resultado, sei que estarão lá pra me apoiar como sempre fizeram. Aos meus irmãos da Igreja, meus alunos e colegas de trabalho que me motivam a ir mais longe. Aos colegas corredores e ao Rossy, pela companhia e sorrisos a todo momento. A Deus, minha maior motivação. Não importa o quanto eu corra, só aí encontro paz.

Isabelle e Rodrigo, companheiros deste blog, pela grande equipe que pudemos formar, esperando que esta seja apenas nossa primeira parceria. Sei que vamos conseguir isto juntos.

Everton, seguirei seus conselhos à risca: esta semana será cheia de positividade!!!!! Obrigado pela serenidade e experiência. A chegada é logo ali!

Este é meu último relato antes da prova. Termino deixando uma música de uma das minhas preferidas: Mercedes Sosa. Estivemos presentes na última vez em que esteve aqui no Rio de Janeiro, poucos meses antes de morrer e me surpreendi com a sua garra ao superar suas dificuldades físicas (como locomover-se) para impostar sua voz inconfundível. Por isso, obrigado à vida por tudo o que me dera. Desejo, através dela, que cada um desses anônimos corredores consiga completar a prova, gente como eu, com suas dificuldades, trabalho, família, dramas pessoais. Aos amigos da Upsports minhas especiais orações e o meu muito obrigado!


segunda-feira, 13 de julho de 2015

Devagar e sempre: os amigos e a corrida

Daqui a treze dias se tudo der certo eu estarei cruzando a linha de chegada junto com o Rodrigo, um pouco depois da Isa, do Fabinho, do Leo, do Jorge, do Thiago, do Cristiano e da Marise. Na verdade não importa o fato de chegarmos antes ou depois dos outros, mas a eufórica esperança, quase uma certeza: a de que chegaremos. Da ideia de correr a maratona até hoje já se vão quatro longos e intensos meses. Neste período eu, Isa e Rodrigo conseguimos fazer três treinos juntos e a experiência  foi válida, muito agradável.

Por conta de horários, eu e Rodrigo acabamos nos aproximando e fizemos os dois últimos longões juntos: dias 5 e 12 de julho, ambos em domingos, ao contrário dos demais, que treinaram no sábado. Sim, domingo, exatamente porque amigos aparecem exatamente nessas ocasiões. Neste caso na dificuldade de conciliar a vida particular com a prática esportiva. No domingo retrasado eu não poderia treinar no sábado, preparando a festa de aniversário da Marthinha e Rodrigo apareceu prontamente disposto a  trocar seu treino de sábado para domingo, afinal vinha se recuperando de forte gripe, como contou-nos em outro post. Ontem, pelo contrário, o pedido era dele para que treinássemos no domingo por conta de sua pós-graduação no sábado (Rodrigo quer se tornar o pica das galáxias na área de marketing, jornalismo, vendas, gestão, mídias sociais... rsrsrs). Topei na hora, pois prefiro o treino aos domingos. 

No entanto, surgiu um compromisso na Paróquia onde frequento e sou responsável de uma comunidade do Caminho Neocatecumenal e não podia faltar de nenhuma forma. Resultado: pedi ao Rodrigo que nos encontrássemos na Praia de Icaraí às seis da manhã (!). Isso porque eu sairia cerca de 25 minutos antes pra dar tempo de aparecer na reunião ainda de manhã.

Confesso que não foi nada agradável correr com a Estrada Fróes totalmente às escuras, afinal também tenho medo de ser vítima da violência que assola a nossa bela cidade de Niterói. Segui em frente, certo de que aquela seria a última vez em que eu me levantaria às cinco da manhã para treinar para a Maratona do Rio.

Tudo correu conforme o planejado: corremos soltos, com a sensação de que ainda podíamos fazer mais. Íamos conversando e relaxando, era divertido ganhar os quilômetros que se acercavam! Desta vez não só eu falava, mas Rodrigo também conversava, sinal de que o treino não era um fardo. Em certo momento eu o disse que estávamos indo muito devagar, mas desistimos de apertar o passo, pois não era tão lento assim. 

Nunca escondi que o meu maior objetivo era terminar a prova e se estivesse inteiro ao fim, melhor.

É inevitável a imagem da lebre e da tartaruga vir à mente, na certeza de que nossas passadas firmes nos levarão ao final.

Encontrei esta imagem na web. Já diz tudo! 

Espero que no dia 26 de julho, apesar do nervosismo e da ansiedade, eu possa me divertir durante a prova, exatamente como eu me diverti neste domingo.

Estas duas semanas que tenho pela frente serão para imaginar como será minha chegada, minha família a me esperar. Vai ser lindo. Vou chorar? Não sei, mas sei que a linha de chegada vai significar também mais um par de amigos (Rodrigo e Isa). É disto que é feito a vida e a corrida.

E como diz o Rossy: "Força na careca"!

domingo, 5 de julho de 2015

O longão mais arrastado, dor e superação


Obrigado, Tarso. Começo este post agradecendo ao amigo desta jornada. Afinal, não fosse ele, neste domingo, não teria completado o treino. Não pelo psicológico, pela parte física mesmo, prejudicada pelas circunstâncias da última semana.

Havia retornado de férias, dois fins de semana sem longões. No domingo passado, fiz 21km, até em um bom ritmo (6min15/km), mas não estava 100%, uma gripe começava a me incomodar.

Na terça, decidi descansar e não treinar, para me recuperar para a quinta-feira. Mas a situação piorou e tive que tomar antibiótico. Então, passei a semana sem correr. O plano passou a ser me restabelecer para o longão do fim de semana: 29km na planilha.

Tarso precisava de companhia para treinar domingo, ele não podia no sábado, e ganhei mais um dia para superar a gripe. Deixei de ir a uma festa na véspera. Não podia abdicar deste treino nas semanas fundamentais de treinamento. Faltam 21 dias para a maratona...

Mas foi sofrido, sem dúvida, o longão mais arrastado. Cheguei antes das 7h no ponto de encontro e, como estava frio, comecei a trotar à espera do Tarso. Quando já havia desistido, com uns 4km de treino, ele apareceu, graças a Deus, porque não teria forças sozinho. Uma companhia faz toda diferença na preparação para 42km, principalmente quando ela te distrai com um repertório inesgotável de conversa...rs

Fomos para o Forte do Gragoatá, encarando duas subidas na ida e na volta; e, de lá, para a Fortaleza Santa Cruz, em Jurujuba, também com subidas no caminho. Estávamos devagar por minha culpa, até aí tudo bem... O problema começou na volta da fortaleza, quando comecei a sentir o joelho esquerdo, perna, tudo... Era como se alguém tivesse amarrado uma corda no meu corpo e me puxasse contra.

Procurei mentalizar a dor como passageira e ela deixou de ser preocupante para pensar em parar. Ao chegarmos em São Francisco, pedi licença ao Tarso para ligar o ipod. Precisava de um gás extra para finalizar. A música me arrastou nos últimos 3km. Ao entrar na Estrada Fróes, logo completei os 29km, mas fui para superação, para ver os 30km no relógio pela primeira vez.

Aos 30km, pausei o relógio e caminhei os últimos metros da Fróes até um ponto de ônibus na Avenida Ary Parreiras, a dois pontos somente da minha casa, menos de 1km, não aguentava mais. Não tinha mais perna. Foi o primeiro longo em que terminei com a sensação de que não prosseguiria se fosse na prova, ao menos teria que andar.

Uma semana difícil, porém, atribuo ao contratempo da gripe. Falta pouco, muito pouco.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Correndo na beca

Como alguns já sabem, minha vida de corrida se deu, no início, pela falta de dinheiro para pagar uma academia, devido ao fato de ser estudante universitária. O que para mim, hoje, é com muito orgulho quando "encho" a boca de palavras para contar a alguém que me questiona por que comecei a correr.

A falta de minhas postagens, infelizmente e felizmente, se dá ao fato de eu estar chegando ao final de uma longa jornada. Provas e mais provas!! rsrs... "MANHÊ TÁ ACABANDO!!"

                   Foto de Formatura da Turma de Medicina Veterinária-UFF                  
Não poderia deixar de relatar aqui no blog mais essa conquista

Apesar das postagens terem diminuído, os treinos estão apenas aumentando.
Domingo passado (21), fiz meus primeiros 29km na companhia dos colegas da Equipe de Fibra, Cristiano, Marise e Marcio, e contando sempre com a ajuda e apoio do meu namorado nos primeiros 6km. (Aliás, fico muito orgulhosa de ter incentivado meu parceiro a dar início nessa vida viciante. Ele fará a Family Run no mesmo dia em que faremos a maratona).

Foram 3h e 4minutos de corrida sem parar, apenas com caminhadas durante a hidratação e reposição energética (gel de carboidrato). Neste dia, ao completar o treino fiquei em dúvida se conseguiria ir adiante por mais 13km (o que restaria para completar os 42km da maratona). Ao expor essa dúvida ao treinador, ele me acalmou dizendo que estes eram apenas os treinos, que ainda há vários pela frente, para eu ficar tranquila e não pensar nisso. Completar cada um dos treinos da planilha por vez, deixar a ansiedade de lado. E isso realmente me acalmou.

Foto após os 29km

No último sábado (27), eu e Marise corremos juntas novamente. Ela começou antes, pois iria percorrer 30km. Nos encontramos no km 9 do percurso dela, e assim nós poderíamos completar o treino juntas, eu com 21km e ela, com 30km.

Comparando-se com a dificuldade do treino de semana passada, esse semana foi molezinha rsrsrs. Faz parte de uma planilha de treinos esses altos e baixos da quilometragem.


Estou em contagem regressiva, ainda me faltam cinco provas universitárias e uma maratona para completar mais uma etapa.

Lembrando que só me formarei no final do ano. No curso de Medicina Veterinária, o 10º período (2º semestre de 2015) é apenas realizado em forma de estágio, confecção e apresentação de TCC (Trabalho de Conclusão de Curso).

terça-feira, 23 de junho de 2015

No asfalto e na tela: Maratona do Amor


Sempre gostei muito de cinema e sempre quis escrever sobre filmes de corrida, ou que se relacionassem com ela de alguma forma: filmes esportivos, superações, dramas, comédias, etc. Abre-se então, uma nova coluna no nosso blog e sempre que possível, os filmes também farão parte do blog, além das resenhas de livros.

Lembro-me de ter visto "Maratona do Amor" (Run Fatboy Run, 2007) quase meio sem querer, buscando aleatoriamente filmes na locadora, para distração. Obviamente me diverti bastante com o filme e me surpreendi com o ator principal, Simon Pegg, até então quase desconhecido para mim (depois o vi atuar em diversos outros filmes com a mesma competência e pitada de humor inglês). Ahh, o filme foi dirigido por David Schwimmer, o "Ross Geller", de Friends!



Narra a história de superação envolvendo Dennis (Simon Pegg), que sofre com o estigma de irresponsável por nunca conseguir concluir nada na vida, fugindo dos problemas, deixando, inclusive, sua ex-noiva Elisabeth (Thandie Newton) grávida, no altar. Dennis se dá conta do erro cometido e busca reconquistar a confiança e o amor de Elisabeth e de seu filho Jake (Mathew Fenton), mas para isso precisa provar para si mesmo que é capaz de concluir uma maratona. A prova se torna também uma disputa entre Dennis e o então namorado de Elisabeth, With (Hank Azaria).

Dennis, ex-fumante, sedentário e fora do peso, muda radicalmente sua vida, troca seus antigos hábitos e espera enfrentar Whit, um desportista exemplar.

Para além das redes que envolvem a trama, gostaria de destacar os aspectos que me tocaram na última vez em que revi o filme, já pensando na vindoura Maratona do Rio de Janeiro.


Durante a preparação, muitos foram os obstáculos a serem enfrentados por Dennis, que só conseguiu se inscrever correndo em prol da Disfunção Erétil. O desenho nas costas (e que eu não tenho) também é engraçado.


Um momento do seu treinamento, o esforço feito no dia a dia para conseguir alcançar sua meta.


O dono do imóvel em que ele reside e sempre atrasa os aluguéis, Sr. John Ghoshdashtidar (rsrsrs), apesar dos problemas que tinha com Dennis, se mostra um sujeito muito amável e o apoia bastante no seu projeto. Na foto o vemos presenteando o protagonista com um par de tênis novos.

As fotos abaixo remetem a instruções clássicas dos treinadores a quem se prepara para correr uma maratona: a ingestão de carboidratos  e a proteção aos mamilos. Detalhe no produto indicado por seu amigo Gordon para proteger os mamilos e, provavelmente, lubrificar outras partes...


O dia da prova começa caótico, pois Dennis acorda atrasado e não tem o tempo devido para sua preparação. Faz um alongamento nada convencional e, por fim, passa o gel nos mamilos.

"Run fatboy, run", diz Whit a Dennis, menosprezando sua força de vontade e persistência na busca de seu ideal. A resposta de Dennis é clara: "eu posso até perder peso, mas você sempre será um babaca". Ou seja, a nosso percentual de gordura não nos diz nada sobre nosso caráter.

Após uma breve disputa, ambos os corredores se veem lesionados, culpa de Whit. Para este, foi o fim da prova, enquanto para Dennis, representou mais um duro obstáculo a superar.

Ao recusar a ida para ser atendido no hospital (implícito no filme), nosso protagonista inicia sua própria maratona, mais dura que os simples 42 km, ainda que a organização da prova já a tenha encerrado oficialmente. Enquanto corre a passos lentos e sofridos, ele vive um drama, que é também o drama de cada um que o segue pelas já escuras ruas da cidade de Londres. O drama também é o de cada um, que inscrito na maratona, tem uma meta a alcançar, algo ou alguém por quem correr e seu sofrimento para alcançar este sonho.

A imagem abaixo ilustra o momento em que o corredor bate no muro que seu subconsciente cria para impedi-lo de continuar. Para muitos, esta barreira fica próxima ao quilômetro 30 da prova, quando muitos maratonistas, ainda que bem preparados fisicamente e dispostos a seguir, desistem da prova, mesmo sem entender o porquê. Parece que o cérebro simplesmente manda a mensagem de que não dá mais! Por isso a maratona é mais do que uma batalha física, ela é psicológica.


No auge do seu cansaço, prestes a desistir, ainda que lhe faltassem poucos metros para a chegada, ele vê a razão de estar ali, sua motivação e segue em frente. Uma força superior lhe vem de dentro e, num sprint final, conclui a maratona, correndo ao encontro de seus amores. Não importa o tempo feito, Dennis, de acordo com o filho, venceu a prova! Realmente, ele venceu! Alguém duvida?


quarta-feira, 17 de junho de 2015

Perder as calças, ganhar a vida. Sobre corrida e emagrecimento

Semana retrasada estive no consultório da Dra. Fernanda Monteiro, nutróloga e também corredora na mesma equipe que nós três. Foi bom perceber que já baixei muito o peso desde o início do ano passado.

Em fevereiro de 2014 voltei de uma viagem com a família e percebi que havia extrapolado: beirava os 96 kg!!!!! Vi-me obeso pela primeira vez na vida. Esta viagem coincidia com uma feliz notícia: acabáramos de nos descobrir grávidos pela terceira vez e agora, do tão esperado menino.

Novamente, tal como ocorrera com o nascimento das minhas meninas, me prometi manter uma vida saudável e emagrecer e assim, poder viver muito para ensinar algo para meus filhos, mas, sobretudo, apreender o máximo de experiências que eles pudessem me transmitir.

Lembro-me bem de dedicar minha primeira meia maratona ao nascimento da Marthinha em 2012 e à felicidade que era e é conviver com a Milena.

Pois bem, desde que comecei a me preparar para a maratona venho me percebendo mais magro e, principalmente, mais saudável, cheio de vida. Não só a corrida me ajuda a emagrecer, como também a lenta mudança nos meus hábitos alimentares.

Sugestões da Dra. Fernanda Monteiro para uma vida saudável.

Apesar das lesões que venho tratando e da minha ansiedade, que me impede de seguir à risca a dieta alimentar, venho realmente perdendo peso, o cinto das calças está cada vez mais apertado e as calças estão cada vez mais frouxas.

Nos últimos dias, apesar da sensação de que emagrecerei mais um pouco, fui impelido a comprar calças novas. Logicamente fui em uma loja de departamentos e comprei duas das mais baratas, certo de que elas também durarão pouco.

Tenho a certeza de que isto é o resultado não dos meus treinos, cada vez melhores e mais regulares, como também da mudança de, pelo menos, 80% dos meus hábitos alimentares e da suplementação que estou seguindo sob supervisão médica (basta ver a foto dos produtos que tomo no post anterior feito pelo Rodrigo).

Se a maratona fosse no próximo domingo, não tenho dúvidas de que conseguiria concluí-la.

Termino por aqui torcendo para que eu perca ainda muitas calças. Meu ganho é muito maior e mais consistente.

                                                     2014                             Agora.
(não dá pra notar muito a diferença, mas eu me conheço, isso é que importa. Rsrsrsrs)
                                             


segunda-feira, 15 de junho de 2015

Preparar-se para 42k não é barato!


As drogas do Tarso
Preparar-se bem para uma maratona não é barato. Prova disso é a foto aí de cima dos suplementos que a gente toma.

Para ter ideia, um pote do whey protein que costumo comprar custa uns R$ 160. A saída é fazer encomendas no exterior. Ainda que os produtos sejam taxados em 60%, sai mais em conta. Outro dia, pedi um pote de BCAA de 400 cápsulas e um de beta-alanina de 150 (aminoácidos). Custou R$ 137. No Brasil, só o pote de BCAA sairia mais de R$ 200.

Bem, e se há suplementação, é porque você provavelmente foi num nutricionista que, no meu caso, cobra R$ 200 as consultas de manutenção. Vou, em média, a cada três meses. No caso da maratona, precisarei abreviar esse tempo.

Musculação é mais que obrigatório. Há academias mais baratas, mas eu optei por fazer no studio do meu treinador de corrida, que já me conhece, tem outro conceito, um espaço menor onde os professores podem dar mais atenção aos alunos.

Eu no Upstudio
Por causa da coluna, ainda faço pilates uma vez por semana. Musculação são dois dias, além dos três de treinos de corrida. Domingo é dia de descanso geralmente, porque sábado à noite gosto de tomar minha cervejinha. Ninguém é de ferro!

Mas, voltando aos cálculos, só nesse trio (assessoria esportiva + musculação + pilates), são 600 pratas por mês. Ah, e quando a dor aperta, tem o massoterapeuta também (já recorri duas vezes a ele). E, como me lembrou o Tarso, o fisioterapeuta, se tiver que ir para o estaleiro durante a preparação.

Isso sem falar em outras coisas, como um bom tênis, relógio com GPS, cinto de hidratação...

Porém, é um investimento que, na minha opinião, vale muito a pena. Tudo pela saúde e pelo bem-estar. A gente abre mão de algumas coisas em prol do que nos faz bem.

domingo, 24 de maio de 2015

Enfim, nosso primeiro treino

E finalmente treinamos juntos, eu, Isabelle e Tarso, que voltou de contusão no pé. Foi no último sábado (23/5), no Recreio, onde largaremos no dia 26 de julho, rumo ao Aterro, por 42km. Fui escalado pelo trio para contar como foi.

Tarso, Isabelle e eu

Foi o primeiro treinão da Upsports Club para a prova, no meu caso o terceiro de 25km; da Isa, o segundo; e do Tarso, o primeiro pensando na maratona (pois já havia feito esta distância em outro treinamento).

Saímos da Praça do Pontal rumo a Grumari. Foi pedreira, já que encaramos um sobe e desce logo no início do treino. Não fomos até Grumari, pois achamos a última subida pesada para quem ainda tinha que encarar muitos quilômetros pela frente debaixo de sol.

No início, estávamos muito devagar, mas a Isa logo nos colocou no eixo. O Tarso nos distraía com suas inúmeras histórias e lembrando cada quilômetro que completávamos. Isa ouvia mais, não gosta muito de conversar correndo.

Ao retornarmos para a base, hidratamos e seguimos adiante na outra direção. Quando regressamos ao ponto de partida, ainda faltavam 8km e o treinador Rossy Borges resolveu nos acompanhar. Fomos novamente em direção a Grumari, porém, retornando antes.

Quando estávamos perto da base novamente, eu e o Tarso apertamos o passo, cientes de que a Isa estava com o Rossy. Eu fiz isso porque queria acabar logo...rs O Tarso porque está trabalhando o chamado split negativo para melhorar no fim.

Passamos um pouco da base, já que ainda faltavam 2km, e voltamos em um sprint final, fechando o último trecho em ritmo de 5min30/km. O pace médio foi de 6min24/km, mais ou menos o que pretendemos imprimir na prova.

Foi um bom aprendizado para testarmos nossas companhias. Afinal, o objetivo é largar e chegar juntos. Eu, por exemplo, vi que posso ligar o som como incentivo só a partir da metade da prova, pois dizem que, nesse ponto, a situação aperta e ninguém aguenta mais conversar. Então, provavelmente não terei mais o Tarso me distraindo...kkk Será? ;)

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Das Trevas à Areia

Este post é dedicado à minha filhota do meio, por me ajudar a encontrar a luz que me ajudou a me recuperar mais rápido, saindo, pois, das trevas e me levando à areia.

Crianças são anjos que Deus enviou para nos ajudar. Eu tenho a felicidade de ter três. Na quinta-feira retrasada eu estava de saída para a Igreja quando Martha correu ao armário e voltou com um par de tênis dizendo: papai, vai com esse aqui que sai luz, por favor (ela falou isso porque ele brilha no escuro). Atendi seu pedido e saí naquela noite com estes calçados nada convencionais. Os tênis em questão eram os Asics Tri Noosa 6, os meus preferidos, que quase nunca uso, para preservá-los, já que já estão macios.

Por incrível que pareça, desde aquela noite não tive mais dores incapacitantes no pé. Claro que continuei com eles todos os dias seguintes, acho que por pura superstição. Ainda me assusto só de pensar que ela, propositadamente ou não, colaborou com meu retorno, me dando ânimo ao me fazer crer que estava melhorando.


O fato é que sábado finalmente voltei a correr. Eu esperava com muita ansiedade por este momento. Não fui para o askm na areia dura, afinal, não dava pra arriscar meus pés na dureza do negrume logo de cara. A orientação do Dr. Bernardo foi bem clara: "VAMOS DEVAGAR".

Corri como de hábito às 6h. Tudo foi perfeito, tanto que meu sorriso estava estampado no rosto desde a primeira passada. Não me preocupei com tempo nem pace. Qual não foi minha surpresa ao ver que fechei abaixo de 6min/km! O resultado imediato foi a planta do pé um pouco dolorida, mas nada demais. Todo atleta sente uma dorzinha em algum lugar. Claro que percebi que meu condicionamento físico piorou um pouco e que não sou capaz de fazer mais de 10km nesta semana. Vamos ver como as coisas evoluem.



O mais importante é que me senti vivo novamente. Desde a lesão tenho feito exercícios para o pé, tendão de aquiles e panturrilha ao menos três vezes por dia. Isso inclui também passar o tal sebo de carneiro, pisar na bolinha várias vezes ao dia, alongar meu pé com a thera band, massagear a planta do meus pés com uma garrafa d'água congelada e, finalmente, dormir com as imobilizações noturnas para o pé, específicas para o tratamento da fascite plantar.  Também não dá pra descartar as prescrições médicas e familiares (como as da Marthinha).

Além da disciplina dos exercícios, da paciência pra saber a hora de voltar, ainda tive que mudar minha postura durante o sono, afinal não posso mais dormir de bruços.

Não sei o que deu certo disso tudo, se algo individualmente (principalmente a banha de Carneiro Capado) ou se tudo junto e misturado. O importante é que vem dando certo! E assim vou eu, perdi um pouco de tempo, mas ainda terei muitas oportunidades de me preparar adequadamente.

E vamos que vamos! 




sábado, 9 de maio de 2015

Corrida na telinha

Não é de hoje que sou fissurado por comerciais de televisão. Os publicitários há muito já sabiam do potencial das telas no imaginário popular, não à toa os filmes publicitários existem desde o início das exibições cinematográficas. Confesso que não tenho muita criatividade para criar peças tão fantásticas, por isso tenho mais admiração ainda pelo trabalho do meu irmão Tiago, publicitário em São Paulo.

Esses dias eu estava fazendo exercícios no transport, quando um comercial me chamou muito a atenção. Uma mulher correndo e expondo seu motivo para correr: sua filha. Assim como a protagonista do comercial da Centauro, também corro por meus filhos e pelas mães maravilhosas da minha vida: minha mulher, minha mãe e minha avó (r.i.p.). Sei que não é necessário que eu veja a minha esposa correndo - este não é seu esporte preferido - sei que ela está comigo a cada passada. De qualquer forma, parabéns aos envolvidos no anúncio e a todas as mães pelo seu dia neste domingo.


Neste mesmo intervalo de programação da televisão, notei que havia muitos outros comerciais de esportes e pelo menos três específicos de corrida. Pesquisando, vi que o fenômeno não é recente, remontando ao menos à década de 1980 e aos comerciais dos Tênis Nike.

Destaco abaixo alguns comerciais, não pela importância histórica ou empresarial, mas por livre escolha temática e pessoal.

1) Este comercial é um destaque por parecer com o citado acima, aprofundando-o, além de antecedê-lo.O norte-americano Team World Vision é um grupo de corrida que tem como um de seus objetivos principais, para além da prática esportiva, o combate à pobreza. É interessante notar que as pessoas correm pelos mais diversos objetivos, inclusive vencer.


2) Este da New Balance merece destaque por sair do lugar comum, criar uma aura de romance na peça publicitária e por ter um conteúdo poético incrível. Achei muito bem escrito e interessante.


3) Destaco este comercial da Nike por trazer esta experiência inovadora com corredores profissionais: correr apenas calçando seus pares de tênis. O anúncio procura aproximar a figura do nu humano com seus tênis minimalistas. Ou seja, a ideia de correr leve como se não estivesse usando nada.


4) Incluo aqui neste bloco dois comerciais da Olympikus, afinal sei que nunca conseguirei vencer prova alguma, nem ganhar dinheiro ou reconhecimento, mas sigo correndo. Sei também que não consigo ficar parado: meu corpo precisa de movimento. O destaque vai também para o visual da cidade do Rio de Janeiro: é lá que esperamos completar nossos primeiros 42km.



Há outros comerciais na playlist que fiz no youtube, quem quiser pode dar uma olhada. Com o tempo vou incluindo novos. Gostaria que cada um comentasse sobre o seu comercial de corrida favorito.
PS: Queria deixar claro que não estou fazendo propaganda para nenhuma empresa específica, apesar de querer muito que isso acontecesse.  Quem sabe nós,  eu, Rodrigo e Isa, corremos com algum patrocínio esportivo? ;-)

sábado, 25 de abril de 2015

O primeiro longo - a barreira dos 21k

Hoje seria o primeiro treino do trio de autores deste blog, quando faríamos nossa primeira selfie...rs

Tarso iria de bike, pois se recupera de lesão no pé, e Isa me acompanharia até onde desse, já que acabara de retornar de férias e se encheu de american food...kkk

Houve um pequeno desencontro de relógios. Desci às 6h e esperei dez minutos pela Isa. Então parti sozinho. Tarso encontraria no caminho. Só depois li sua mensagem de que não poderia ir com o bebê febril.

O treino era de 25km. Nunca havia passado dos 21. Por isso, a apreensão sobre como o corpo iria reagir. O destino? Ir até a Fortaleza Santa Cruz (10km) e voltar fechando 20km e finalizando os outros 5km na Praia de Icaraí mesmo. Tudo em Niterói (RJ) para os leitores de fora.

Acabei encontrando a Isa pouco depois do km 5 e seguimos até a Fortaleza. Lá chegando demos uma parada para água e gel; mas logo retornamos, pois a paisagem anunciava chuva. Por volta do km 13, Isa parou para comprar água. No km 16, ela me deixou. Afinal, estava desde a Volta à Ilha sem treinar. De fato, a companhia em treinos longos é fundamental para distrair a mente.

Segui bem até Icaraí melhorando meu ritmo. Já na praia, parei para tomar um copo de água de coco e reabastecer o cinto de hidratação para os próximos cinco quilômetros. Não foi fácil retomar e superar a barreira dos 21. O corpo doía e, principalmente, a sola dos pés, que nunca havia sentido. Pensei em desistir e fechar menos que 25km. Mas prossegui na raça.

Quando faltava um quilômetro, encontrei Fabinho, um excelente corredor da nossa equipe, fazendo alongamento pós-treino. Perguntei quanto ele havia feito. Me respondeu 17km. Me animei e mostrei o meu relógio, informando que faltava pouco para finalizar os 25km. Ele me parabenizou, o que me deixou bastante feliz.

Já em casa, tomei a suplementação de recuperação indicada pelo nutricionista, um bom banho e depois, um belo café com tapioca. Em seguida, cama, até o almoço, e gelo onde o corpo reclamava mais. À noite, um chope me espera, porque ninguém é de ferro.

Vamos que vamos rumo aos 42!

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Os 25km estão chegando e a Maratona também (ou: A importância do treinador de corrida)

Não sei como as pessoas se comportam frente às dificuldades. Eu desisto das coisas muito fácil, por isso tenho sempre que me manter muito focado. Um dia ruim no trabalho, uma chateação em casa ou um programa na televisão já são suficientes pra fazer com que aquelas perguntinhas voltem à minha mente: "Pra que estou fazendo isso? Vale mesmo a pena? Você não vai conseguir. Espera amanhecer. Fica por aqui só hoje, amanhã você vai." E assim deixo de treinar. Ainda bem que tenho estímulos diários que incluem inclusive os comerciais de televisão (um dia vou falar deles aqui), frases de motivação, este blog que aqui se encontra, além do grupo de whatsapp e as trocas de mensagens de texto.



Por falar nisso, estava eu trocando mensagens com o treinador, verificando os novos treinos, cada vez mais adaptados à Maratona propriamente dita e me surpreendi com o fato de já haver na planilha um treino superior à distância da Meia-maratona, no caso 25km daqui a dois sábados. Na hora me lembrei do treino no ano passado no Recreio dos Bandeirantes, quando, tentando acompanhar a Natália Nestal (que treinava para a Maratona), o treinador e sua bicicleta (a Upa-Upa), acabei por completar 25 km pela primeira vez aos trancos e barrancos, quebrando, inclusive. Naquela ocasião pensei que nunca conseguiria completar os 42 km.

Confesso que fiquei muito feliz ao ver a planilha, afinal meu último longão no sábado passado foi realizado de maneira tranquila, num ritmo confortável de 5:45 min/km. E eu ainda achei que estava mais lento, pois meu estado geral era muito bom. Foi muito difícil controlar o pace tendo apenas a velocidade como parâmetro.  Culpa do meu Garmin 305 e do meu falecido 220... Não vejo a hora do meu Suunto Ambit 2 chegar, dizem que este relógio é muito bom.

Ainda nesta troca de mensagens, novamente Rossy me chamou a atenção para a minha ansiedade e pouca paciência nos treinos, afinal já me viu quebrar e/ou me lesionar por ir rápido demais, sem respeitar os limites do meu corpo. É ele quem anda sofrendo com o excesso de mensagens sobre treino ou outras questões. 

Rossy Borges, o treinador e sócio da UpsportsClub,  sempre foi uma referência.  Amigo de amigos meus (afinal moramos em Niterói,  lugar onde todos se conhecem), nunca o vi como um corredor excepcional, como outros da equipe, como Léo, Fabio, professor 100% Fabinho, Thiago ou Jorge (só para pensar em alguns), mas como um profissional extremamente competente e sempre disponível. Não sei também como ele entrou neste ramo do atletismo, ainda que profissional de Educação Física. Nossa relação oscila entre colegas de boteco, psicólogo e coach técnico. Acho que isto quer dizer profissionalismo: saber afagar quando precisa, dar um sorriso na tristeza e falar firme quando encontra a preguiça ou a estagnação. Ele faz exatamente o que eu espero dele: define os melhores treinos para mim, respeitando a minha gradual evolução, mantém minha motivação em alta e me desafia com uma variedade de exercícios que confesso que, a princípio, acho que não vou conseguir. 

Há aqueles que não precisam de treinador. Eu, definitivamente, preciso de alguém, só funciono no tranco.