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segunda-feira, 13 de julho de 2015

Devagar e sempre: os amigos e a corrida

Daqui a treze dias se tudo der certo eu estarei cruzando a linha de chegada junto com o Rodrigo, um pouco depois da Isa, do Fabinho, do Leo, do Jorge, do Thiago, do Cristiano e da Marise. Na verdade não importa o fato de chegarmos antes ou depois dos outros, mas a eufórica esperança, quase uma certeza: a de que chegaremos. Da ideia de correr a maratona até hoje já se vão quatro longos e intensos meses. Neste período eu, Isa e Rodrigo conseguimos fazer três treinos juntos e a experiência  foi válida, muito agradável.

Por conta de horários, eu e Rodrigo acabamos nos aproximando e fizemos os dois últimos longões juntos: dias 5 e 12 de julho, ambos em domingos, ao contrário dos demais, que treinaram no sábado. Sim, domingo, exatamente porque amigos aparecem exatamente nessas ocasiões. Neste caso na dificuldade de conciliar a vida particular com a prática esportiva. No domingo retrasado eu não poderia treinar no sábado, preparando a festa de aniversário da Marthinha e Rodrigo apareceu prontamente disposto a  trocar seu treino de sábado para domingo, afinal vinha se recuperando de forte gripe, como contou-nos em outro post. Ontem, pelo contrário, o pedido era dele para que treinássemos no domingo por conta de sua pós-graduação no sábado (Rodrigo quer se tornar o pica das galáxias na área de marketing, jornalismo, vendas, gestão, mídias sociais... rsrsrs). Topei na hora, pois prefiro o treino aos domingos. 

No entanto, surgiu um compromisso na Paróquia onde frequento e sou responsável de uma comunidade do Caminho Neocatecumenal e não podia faltar de nenhuma forma. Resultado: pedi ao Rodrigo que nos encontrássemos na Praia de Icaraí às seis da manhã (!). Isso porque eu sairia cerca de 25 minutos antes pra dar tempo de aparecer na reunião ainda de manhã.

Confesso que não foi nada agradável correr com a Estrada Fróes totalmente às escuras, afinal também tenho medo de ser vítima da violência que assola a nossa bela cidade de Niterói. Segui em frente, certo de que aquela seria a última vez em que eu me levantaria às cinco da manhã para treinar para a Maratona do Rio.

Tudo correu conforme o planejado: corremos soltos, com a sensação de que ainda podíamos fazer mais. Íamos conversando e relaxando, era divertido ganhar os quilômetros que se acercavam! Desta vez não só eu falava, mas Rodrigo também conversava, sinal de que o treino não era um fardo. Em certo momento eu o disse que estávamos indo muito devagar, mas desistimos de apertar o passo, pois não era tão lento assim. 

Nunca escondi que o meu maior objetivo era terminar a prova e se estivesse inteiro ao fim, melhor.

É inevitável a imagem da lebre e da tartaruga vir à mente, na certeza de que nossas passadas firmes nos levarão ao final.

Encontrei esta imagem na web. Já diz tudo! 

Espero que no dia 26 de julho, apesar do nervosismo e da ansiedade, eu possa me divertir durante a prova, exatamente como eu me diverti neste domingo.

Estas duas semanas que tenho pela frente serão para imaginar como será minha chegada, minha família a me esperar. Vai ser lindo. Vou chorar? Não sei, mas sei que a linha de chegada vai significar também mais um par de amigos (Rodrigo e Isa). É disto que é feito a vida e a corrida.

E como diz o Rossy: "Força na careca"!

domingo, 21 de junho de 2015

De malas prontas para... treinar


Como falei em algum post, correr a primeira maratona não estava nos meus planos este ano. Fui no embalo ao saber que teria a companhia dos colegas de blog para treinar. Mas no meio do caminho já tinha uma viagem de férias -inadiável - planejada. O jeito foi levar o tênis na bagagem para me manter em atividade até a volta aos longões no Brasil. Seguem as fotos dos treinos de rodagem em Portugal! Pós-treino em Tomar, treino em Viana do Castelo (acima) e no Porto. Preparação internacional...rs



terça-feira, 2 de junho de 2015

Como diziam os veteranos...

Eu não treino para uma prova específica, eu treino para a vida. Eu treino porque gosto e porque isso se tornou meu hobby. Mesmo não conseguindo treinar como o planejado, o importante é treinar!

Semana passada não foi muito produtiva. Na terça-feira, eu deveria fazer um treino de 13km. Saí de casa com a expectativa de realizá-lo. Chegando na Praia de Icaraí, a vontade de usar o sanitário estava grande (para fazer o número 1 = xixi rsrs.... faz parte). Então, como sempre faço, segui em direção a um barzinho de esquina onde costumo pedir pra usar o banheiro, mas fui surpreendida com uma limpeza tão bem feita no mesmo que o cheiro de água sanitária me "intoxicou" de uma maneira muito estranha, de tal forma que saí de lá tossindo e sem ar. Parece uma história meio sem nexo, parece até mentira, meio inesperada, mas sim... essas coisas acontecem. Pronto. Isso foi o ápice do meio treino mal feito. Saí de uma expectativa boa para uma inesperada.

Dei um tempo, sentada num banco do calçadão da praia, esperando uma melhora e logo depois segui novamente com a corrida. No meio do caminho encontrei com o Cris e com a Marise, parceiros da Equipe de Fibra, que lutam por uma causa nobre - a Fibrose Cística (veja o post anterior aqui) - e os acompanhei durante um pequeno percurso. Devido a essa minha debilidade "intoxicante", só consegui fazer 8,5km.

Na quinta-feira, novamente meu treino seria de uns 13km, porém, intervalado em ritmos forte e mais lentos. Entretanto... chuva!!! E muita chuva... acabei não treinando também.


Na sexta pela manhã, mesmo com uma garoa fraca, levantei da cama, coloquei o tênis mais velhinho e fui correr. Minha intenção já não era fazer os 13km. Afinal, no dia seguinte (sábado) encararia novamente os 25km, de acordo com a planilha.

E não posso dizer que não gosto de correr com chuva, é muito bom: o calçadão da praia fica vazio, a temperatura, agradável e o tênis nem encharcou muito. Esses são os melhores treinos, os mais legais, na minha opinião. É lindo correr num dia ensolarado, digno de fotografia e postagem no Facebook, mas o dia de chuva é especial!!

Sábado, dia de realizar 25km. Infelizmente, aquela manhã não foi a mais gloriosa. Aprendi o verdadeiro valor da palavra QUEBREI. Não foi muscular, não foi queda de pressão, não foi físico. Foi puramente psicológico. Fiquei decepcionadíssima. Arrasada. No km 14, comecei com os (maus) pensamentos; no km 16, já comecei a caminhar e, daí até o km 20, aproximadamente, havia caminhado uns 2 km. Fui resgatada pelo carro da assessoria Upsports Club. Em todo momento, tive o apoio dos meus colegas Tarso e Rodrigo, porém, tristemente, isso não foi o suficiente para mim naquele dia.

Os veteranos Rossy e Fabinho disseram: "Isso é natural, acontece" e, assim, mais uma frase entrou para o meu menu de experiências. Mesmo sendo uma realidade não desejável.

No dia seguinte, domingo, fiz minha primeira corrida com obstáculos, a Bravus Race. Uma corrida exótica, diferente de todas que já fiz. Foram 5km de corrida entre 15 obstáculos dificílimos, em nível de treinamento para as Forças Armadas do Brasil.

A corrida aconteceu no Centro de Educação Física Almirante Adalberto Nunes (Cefan) - RJ. As largadas ocorreram em baterias. Largamos eu e meu namorado (e com sorte encontramos um querido amigo, que junto de seus colegas nos ajudaram a superar as dificuldades da corrida), numa manhã chuvosa e fria, sem saber o que nos esperava ao longo de todo percurso. Muitos desafios, muita lama e muita água congelante. Foi uma experiência única, sofrida, mas que com certeza faria novamente.

E assim fechei o domingo, bem menos decepcionada. Nada como uma corrida após a outra para nos dar ânimo.


Como já diziam os veteranos, são nos treinos que temos que passar por todas as situações prováveis e possíveis que podem ocorrer durante a prova oficial. A chuva e a decepção por ter quebrado são uma dessas situações, tudo faz parte do treino. A meta é chegar no meu limite, ao extremo, para que no dia da prova, aquilo não seja mais um limite e nem um extremo.

Rumo à Maratona do Rio 2015!!

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Do impossível ao psicológico

Às vezes, no dia a dia, andamos meio cabisbaixos conosco e nem sempre temos um motivo entristecedor para isso. Apenas estamos daquele jeito e pronto. "Ninguém tem nada a ver com a minha vida..." Bom, não é bem assim, as pessoas têm a ver com a sua vida sim.

É você quem entra numa padaria pela manhã e oferece um bom dia e um sorriso no rosto para o padeiro, ou entra num ônibus e deseja uma boa tarde ao motorista e ao cobrador. Mas por que teríamos que fazer isso? Por que eu devo um bom dia ao padeiro???

Primeiro, por educação (que é bom e todo mundo gosta) e segundo, porque nós não somos independentes 100%, sempre dependeremos do motorista de ônibus para nos levar ao local desejado, ao local de trabalho, por exemplo.

Minha mãe sempre me disse: "Nunca dependa de ninguém" e sempre segui este dito. Ou pelo menos tentei seguir, ou seguirei pelo resto da vida.

Não depender de NINGUÉM às vezes se torna meio exagerado. Aprendi semana passada que sempre dependeremos de alguém. A frase de minha mãe sempre continuará em meus pensamentos, porém, com um sentido menos agressivo. No sentido de me tornar independente na vida, e não para o mundo.

(Foto antiga, mas tá valendo. Da esquerda pra direita: eu, minha mãe e minha tia)

Qual a relação disso com a corrida???

Semana passada, sexta dia 15, saí pra correr pela manhã, já que não havia treinado na quinta-feira, como costumo fazer. Meu percurso era de 10km, aparentemente fácil. Entretanto... o psicológico estava abalado, não sei dizer e nem me expressar com palavras o que me aconteceu; o treino foi um fiasco.

Caminhei várias vezes, parecia que estava sentindo uma dor em algum lugar que não me deixava me concentrar nas passadas e nem na respiração, muito menos na paisagem ou em qualquer outro pensamento. Foi aí que comecei a pensar na falta que me fazem os companheiros de estrada, de quilometragem.

Infelizmente, já há alguns finais de semana que estou treinando sozinha e isso está me deixando com muitas saudades (me deixando até meio "doida", me arrisco a dizer).

Ter a presença de pessoas boas e interessantes ao nosso lado faz toda a diferença.

Então dialoguei com meu próprio subconsciente dizendo: sou completamente dependente de outras pessoas. Claro que também sou independente fisicamente e espiritualmente (troquei um sifão da pia da cozinha de casa sem ajuda de ninguém rsrsrs...).

Domingo, dia 17, saí para correr na ilustre companhia do meu namorado, que me acompanhou nos primeiros 5km, fazendo com que meu percurso se tornasse mais interessante. Completei um pouco mais de 17km, o sol estava desgastante, porém, devido à presença de uma simples e complexa companhia, me animei muito, tanto que, ao final do treino, adquiri algumas bolhas e calos no pé que nem senti a dor. Só vi o estrago ao final do treino quando retirei o tênis.


O psicológico pode te atrapalhar, e muito, mas também é ele quem te dá força e te "salva"!

terça-feira, 19 de maio de 2015

Na estante do corredor: Correr, de Jean Echenoz

A leitura é um de meus hábitos preferidos. Sempre tenho livros na mochila e não é incomum que eu deixe de notar alguém por estar lendo naquele exato momento. Junto com minhas primeiras passadas vieram também os primeiros livros sobre corrida.

Inauguramos aqui mais uma das seções do nosso blog: "Na estante do corredor", onde pretendemos incluir os livros que marcaram nossas práticas esportivas e pessoais, ou mesmo outros de que gostamos e foram importantes ou não num determinado momento. Nisto contamos também com a ajuda do nosso público leitor do blog, indicando outras obras ou mesmo trazendo resenhas de livros de corrida ou de histórias emocionantes do esporte.

Como um bom bibliófilo, compro livros, aproveitando uma boa ocasião, prometendo-me lê-lo num momento posterior. Isto aconteceu com o livro que lhes apresento hoje, comprado numa promoção de 50% feita pela Livraria Cultura. "Correr", do francês Jean Echenoz, é um livro curto, de fácil leitura, bom para todas as ocasiões. Confesso que como bom historiador senti falta dos marcos cronológicos, que ajudam a pontuar os acontecimentos mundiais. Isto não quer dizer que não gostei do livro.

"Correr" retrata a história do corredor tchecoslovaco Emil Zátopek, multicampeão, único homem a vencer as provas dos 5 mil, 10 mil e a maratona em uma mesma Olimpíada, em Helsinque, 1952. Emil, ou a "Locomotiva", como ficou conhecido, ainda deteve recordes nas provas de uma milha, 21km e 30km, além de diversas provas de cross-country e de ter sido o primeiro homem a correr mais de 20km em uma hora. Tornou-se, merecidamente, uma verdadeira lenda do esporte.

Quando vemos um campeão, principalmente olímpico e recordista mundial, tendemos a acreditar que tal ocorreu por causa de uma aptidão nata ou algum tipo de milagre. Conforme nos trouxe o Rodrigo em seu post sobre o jamaicano Usain Bolt, um campeão se faz à custa de muito trabalho, muita transpiração e superação de seus dramas pessoais. Emil Zátopek faria coro a ambos, ao dizer: "Duro no treino, fácil na prova!"

Emil descobriu a corrida em meio à ocupação da Tchecoslováquia pela Alemanha Nazista. Não gostava de esportes, seu sonho era ser químico. A corrida apareceu quase como uma imposição das autoridades, pois ou participava de uma prova em sua cidade ou iria parar nos campos de concentração alemães. Emil não conseguia apenas participar, caminhando ou correndo apenas para completar a prova. Ao calçar seus tênis, descobriu-se um vencedor. Desde então não parou mais.

É comovente e motivador na biografia de Zátopek sua determinação, força de vontade e competitividade. Dividindo sua vida entre o trabalho na fábrica e os treinos, nunca deixou de treinar, inventando até métodos próprios de treinamento, como correr grandes distâncias prendendo a respiração e também fazendo treinos de velocidade, enquanto todos os corredores de sua época focavam-se na resistência. Conta-nos o autor que Emil desmaiara duas vezes por causa dessas 'inovações' na rotina de treinamentos.

Não demorou muito para que Emil se destacasse no seu país, o que o levou a ganhar um posto no Exército tchecoslovaco e daí passou a ser usado como propaganda do regime.

Antes de conquistar suas inúmeras vitórias, nosso corredor tchecoslovaco acumulou derrotas. As viagens eram longas e as condições dos competidores nas provas não eram nem de longe as adequadas. Quando pensamos na estrutura que encontramos nas provas pelo mundo e ainda assim queremos desistir, não nos damos conta do esforço feito por esses atletas para impulsionar o esporte. Emil tinha que lutar ainda contra a solidão nos treinos, nas viagens e nas provas, exatamente como muitos de nós. Único representante de seu país, ele era muitas vezes motivo de piada para todos: "Quantos são? Só eu. Só você? Cadê os outros?". Impressionantemente, ele fazia de suas dificuldades combustível para as vitórias.

Para quem costuma rir dos outros durante as provas ou treinos, achando estranho a forma como alguns correm, a história de Zátopek nos ensina a não subestimar os demais. Emil nunca quis mudar seu estilo de pisadas fortes, cabeça balançando de um lado a outro, cara de dor, descompasso: queria correr como lhe cansasse menos. Sobre isso, o autor nos conta o diálogo entre Emil e seu treinador diante de duas canecas de cerveja (sim, cerveja!), poucas horas após a conquista da medalha de ouro na prova dos dez mil metros das Olimpíadas de Londres (1948). Ao ser questionado sobre a forma como corria, Emil disse com simplicidade:

"Não tenho talento o bastante para correr e sorrir ao mesmo tempo (...). Correrei com um estilo perfeito se um dia a corrida for apreciada com base numa tabela, como na patinação artística. Mas, para mim, por enquanto, tudo o que preciso é ir o mais rápido possível".
Detalhe: Zátopek vencera a prova dando pelo menos uma volta sobre cada adversário. Em tempo: foi ele também o descobridor do sprint final, uma verdadeira locomotiva a ultrapassar os adversários nos metros finais ou a pulverizar recordes!

Com sua notoriedade e famas mundiais, Emil, "A Locomotiva Humana", tornou-se uma celebridade e passou a ser utilizado como um trunfo do regime socialista em tempos de Guerra Fria. As vitórias lhe trouxeram promoções, fazendo-o adquirir, com isso, novas patentes no Exército. No entanto, o regime de seu país, sob ordens expressas de Moscou, passou a restringir ou até mesmo proibir suas viagens, por medo de que ele deserdasse para o lado Ocidental.

A glória de Zátopek ocorreu nas Olimpíadas de Helsinque, em 1952, quando conquistou três ouros, nos cinco e dez mil metros e na maratona, num curto intervalo de tempo. Sobre esta última prova, uma curiosidade: conta-se que durante a prova Emil não exibiu as caras de dor e descompasso habituais, mas conseguiu acompanhar os líderes com facilidade, desgarrando-se no fim e batendo o recorde mundial da prova. Ao entrar no Estádio Olímpico e temendo que o público não o reconhecesse, nosso corredor forçou uma feição de dor e sofrimento e terminou ovacionado.

A história de Emil Zátopek também se confundiu com a da prova mais conhecida entre nós e celebrada até hoje: a Corrida Internacional de São Silvestre, em São Paulo, cuja largada acontecia então à meia-noite do último dia do ano, justamente no momento da virada. Como era costume, a largada se dava exatamente ao fim do hino nacional brasileiro. Como fazer então? A solução do tcheco foi decorar o hino! No entanto, em meio à euforia pela ocasião e também pela participação desta personalidade na prova, um rojão qualquer terminou por desencadear a prova. Isto não impediu que Emil vencesse a São Silvestre e fosse aclamado pelos brasileiros, de quem sempre guardou muito carinho.

Fica-nos também o ensinamento de que no fim de sua carreira Zátopek acumulou derrotas e soube a hora de parar. Nos jogos Olímpicos de Melbourne, em 1956, já longe de sua forma e sob condições climáticas e ambientais desfavoráveis, Emil 'quebrou' no quilômetro trinta, seguindo com muito esforço para a linha de chegada, onde tombou na grama lateral após completar a prova.

Por fim, algumas palavras deste mito que, assim como sua vida, nos motivem sempre:

"Um atleta não pode correr com dinheiro nos bolsos. 
Ele deve correr com esperança no seu coração e sonhos na sua mente"



Referências: ECHENOZ, Jean. Correr. Trad. Bernardo Ajzenberg. Rio de Janeiro: Alfaguara, 2010.

sábado, 9 de maio de 2015

Corrida na telinha

Não é de hoje que sou fissurado por comerciais de televisão. Os publicitários há muito já sabiam do potencial das telas no imaginário popular, não à toa os filmes publicitários existem desde o início das exibições cinematográficas. Confesso que não tenho muita criatividade para criar peças tão fantásticas, por isso tenho mais admiração ainda pelo trabalho do meu irmão Tiago, publicitário em São Paulo.

Esses dias eu estava fazendo exercícios no transport, quando um comercial me chamou muito a atenção. Uma mulher correndo e expondo seu motivo para correr: sua filha. Assim como a protagonista do comercial da Centauro, também corro por meus filhos e pelas mães maravilhosas da minha vida: minha mulher, minha mãe e minha avó (r.i.p.). Sei que não é necessário que eu veja a minha esposa correndo - este não é seu esporte preferido - sei que ela está comigo a cada passada. De qualquer forma, parabéns aos envolvidos no anúncio e a todas as mães pelo seu dia neste domingo.


Neste mesmo intervalo de programação da televisão, notei que havia muitos outros comerciais de esportes e pelo menos três específicos de corrida. Pesquisando, vi que o fenômeno não é recente, remontando ao menos à década de 1980 e aos comerciais dos Tênis Nike.

Destaco abaixo alguns comerciais, não pela importância histórica ou empresarial, mas por livre escolha temática e pessoal.

1) Este comercial é um destaque por parecer com o citado acima, aprofundando-o, além de antecedê-lo.O norte-americano Team World Vision é um grupo de corrida que tem como um de seus objetivos principais, para além da prática esportiva, o combate à pobreza. É interessante notar que as pessoas correm pelos mais diversos objetivos, inclusive vencer.


2) Este da New Balance merece destaque por sair do lugar comum, criar uma aura de romance na peça publicitária e por ter um conteúdo poético incrível. Achei muito bem escrito e interessante.


3) Destaco este comercial da Nike por trazer esta experiência inovadora com corredores profissionais: correr apenas calçando seus pares de tênis. O anúncio procura aproximar a figura do nu humano com seus tênis minimalistas. Ou seja, a ideia de correr leve como se não estivesse usando nada.


4) Incluo aqui neste bloco dois comerciais da Olympikus, afinal sei que nunca conseguirei vencer prova alguma, nem ganhar dinheiro ou reconhecimento, mas sigo correndo. Sei também que não consigo ficar parado: meu corpo precisa de movimento. O destaque vai também para o visual da cidade do Rio de Janeiro: é lá que esperamos completar nossos primeiros 42km.



Há outros comerciais na playlist que fiz no youtube, quem quiser pode dar uma olhada. Com o tempo vou incluindo novos. Gostaria que cada um comentasse sobre o seu comercial de corrida favorito.
PS: Queria deixar claro que não estou fazendo propaganda para nenhuma empresa específica, apesar de querer muito que isso acontecesse.  Quem sabe nós,  eu, Rodrigo e Isa, corremos com algum patrocínio esportivo? ;-)

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Os 25km estão chegando e a Maratona também (ou: A importância do treinador de corrida)

Não sei como as pessoas se comportam frente às dificuldades. Eu desisto das coisas muito fácil, por isso tenho sempre que me manter muito focado. Um dia ruim no trabalho, uma chateação em casa ou um programa na televisão já são suficientes pra fazer com que aquelas perguntinhas voltem à minha mente: "Pra que estou fazendo isso? Vale mesmo a pena? Você não vai conseguir. Espera amanhecer. Fica por aqui só hoje, amanhã você vai." E assim deixo de treinar. Ainda bem que tenho estímulos diários que incluem inclusive os comerciais de televisão (um dia vou falar deles aqui), frases de motivação, este blog que aqui se encontra, além do grupo de whatsapp e as trocas de mensagens de texto.



Por falar nisso, estava eu trocando mensagens com o treinador, verificando os novos treinos, cada vez mais adaptados à Maratona propriamente dita e me surpreendi com o fato de já haver na planilha um treino superior à distância da Meia-maratona, no caso 25km daqui a dois sábados. Na hora me lembrei do treino no ano passado no Recreio dos Bandeirantes, quando, tentando acompanhar a Natália Nestal (que treinava para a Maratona), o treinador e sua bicicleta (a Upa-Upa), acabei por completar 25 km pela primeira vez aos trancos e barrancos, quebrando, inclusive. Naquela ocasião pensei que nunca conseguiria completar os 42 km.

Confesso que fiquei muito feliz ao ver a planilha, afinal meu último longão no sábado passado foi realizado de maneira tranquila, num ritmo confortável de 5:45 min/km. E eu ainda achei que estava mais lento, pois meu estado geral era muito bom. Foi muito difícil controlar o pace tendo apenas a velocidade como parâmetro.  Culpa do meu Garmin 305 e do meu falecido 220... Não vejo a hora do meu Suunto Ambit 2 chegar, dizem que este relógio é muito bom.

Ainda nesta troca de mensagens, novamente Rossy me chamou a atenção para a minha ansiedade e pouca paciência nos treinos, afinal já me viu quebrar e/ou me lesionar por ir rápido demais, sem respeitar os limites do meu corpo. É ele quem anda sofrendo com o excesso de mensagens sobre treino ou outras questões. 

Rossy Borges, o treinador e sócio da UpsportsClub,  sempre foi uma referência.  Amigo de amigos meus (afinal moramos em Niterói,  lugar onde todos se conhecem), nunca o vi como um corredor excepcional, como outros da equipe, como Léo, Fabio, professor 100% Fabinho, Thiago ou Jorge (só para pensar em alguns), mas como um profissional extremamente competente e sempre disponível. Não sei também como ele entrou neste ramo do atletismo, ainda que profissional de Educação Física. Nossa relação oscila entre colegas de boteco, psicólogo e coach técnico. Acho que isto quer dizer profissionalismo: saber afagar quando precisa, dar um sorriso na tristeza e falar firme quando encontra a preguiça ou a estagnação. Ele faz exatamente o que eu espero dele: define os melhores treinos para mim, respeitando a minha gradual evolução, mantém minha motivação em alta e me desafia com uma variedade de exercícios que confesso que, a princípio, acho que não vou conseguir. 

Há aqueles que não precisam de treinador. Eu, definitivamente, preciso de alguém, só funciono no tranco.

terça-feira, 7 de abril de 2015

Correndo na Chuva

Hoje saí pra correr, como de costume, antes do sol nascer. O clima era convidativo: estava garoando. Sinceramente, eu amo a combinação chuva gelada, vento e frio. Deveria estar morando em Londres e não em Niterói. Lembro-me que, em 2012, antes de me lesionar, costumava torcer para chover e, aos primeiros pingos, lá estava eu, feliz no calçadão da Praia de Icaraí.

De qualquer forma, ultimamente ando tendo que dar um trote de aquecimento até a Praia de São Francisco para ver se o meu Garmin 210 sincroniza e capta o sinal do satélite. É uma boa distância e um problema incompreensível para um acessório tão caro. Neste trajeto a chuva apertou, os pingos engrossaram e, ao chegar na praia, o vento lateral se tornou mais forte, mas nada de raios, relâmpagos ou trovões. Na hora comecei a pensar se aquilo me faria mal ou se eu devia continuar. Não demorei a concluir que valia o risco, afinal não teria outra hora pra treinar.

Como resultado de minha crescente perda de peso, meus resultados começaram logo a aparecer e nos dois primeiros quilômetros corri para paces muito baixos e de forma confortável. Ao fim desta distância e de menos de 10 minutos, meu relógio/GPS/Monitor Cardíaco apagou (e até agora segue neste estado letárgico). Na hora xinguei a fabricante, pois eu o comprei há pouco mais de um ano e nunca o havia usado num treino chuvoso.

Num primeiro momento não parei de pensar neste problema e em todos os artigos que li sobre dependência tecnológica e fatores externos ao corredor. Mandei meu relógio às favas e me concentrei apenas na minha passada e na minha respiração nos 8 quilômetros seguintes. Acompanhei também minha evolução através dos relógios de rua e, para minha surpresa, consegui (ou ao menos acredito que consegui) manter o meu ritmo inicial, inclusive aumentando o meu ritmo no fim. Esta distância de hoje eu já sei de cor e não me preocupei com relação ao ponto em que deveria terminar o treino.

No fim, todos já sabem: ida à padaria e pão quente para a família.

Chegando em casa fiz o que se manda: retirei imediatamente a roupa molhada, tomei um banho morno e deixei o tênis pra secar. Li algumas matérias sobre chuva e corrida em sites especializados e me convenci de que fiz o que deveria ser feito. 

Não se espantem, se vierem dias chuvosos, lá estarei eu feliz, correndo na chuva.


PS: Ontem completamos um mês de blog e, inesperadamente, obtivemos (até então) a expressiva cifra de 1220 views. Pra quem queria, como nós três, apenas mais uma motivação para completar a primeira maratona de nossas vidas, esta experiência tem sido bem bacana. Obrigado a todos pelo carinho.

sexta-feira, 6 de março de 2015

Foi dada a largada! Faltam 142 dias para a primeira Maratona do resto de nossas vidas!

Foi dada a largada! Sejam bem-vindos

 Pelos próximos meses- e quem sabe os seguintes- esperamos contar aqui os relatos de três amigos, três problemas na coluna (hérnias e protusões), três filhos, sua busca aos 42.195 metros da mais conhecida prova de corrida (e de superação pessoal) do atletismo mundial.
    
     
Isabelle, Rodrigo e Tarso, cada um a sua maneira e sem obrigatoriedades, amarras, periodicidade ou prazo, tentarão compartilhar neste blog todas as suas experiências até o desejado dia 26 de julho de 2015, quando todos esperam concluir pela primeira vez a Maratona do Rio de Janeiro.

O blog traz de tudo um pouco, desde prática esportiva a experiência de vida. 

Há vários mitos em torno dos 42 km, muita complexidade e curiosidades. 

Você sabia que em 42 km podemos, por exemplo, sair de Niterói (nossa cidade) e chegar à longínqua Barra da Tijuca? E que esta distância equivale a dar quase 53 voltas em torno da circunferência do Novo Maracanã (não sua pista de corrida, que tem cerca de 1800 m de extensão) ? Mais: Se colocarmos um pé de tênis de corrida tamanho 43 atrás do outro demarcando o percurso da prova, chegaremos ao incrível número de 140.650 unidades! (Fonte: Cálculos loucos do Historiador Tarso).

A distância da Maratona é mais de 200.000 vezes o tamanho da Careca do nosso professor e responsável por nossa preparação, Rossy Borges, da Upsports Club!

E você, tem alguma curiosidade relacionada à Maratona para nos contar? Divirtam-se!

Em tempo: Três na Maratona não tem Treze letras...