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terça-feira, 28 de julho de 2015

Para tudo existe a primeira vez

Começo hoje me desculpando com os colegas do blog Rodrigo e Tarso. Poderia ter corrido a maratona com vocês, mas não o fiz. Acompanhei a Marise (Equipe de Fibra), uma grande parceira dos treinos e amiga.

Acabei optando por correr ao lado dela, pois sabia que Tarso e Rodrigo estariam bem acompanhados por Jesus. Já a Marise, mesmo tendo seu marido Cristiano como companheiro de corrida, este também já tinha seu parceiro naquele dia, o Marcio, e assim ela ficaria sozinha. E como nós já havíamos treinado muito bem juntas, e nos demos muito bem, a companhia durante a prova foi fundamental. E assim, todos saímos ganhando!

No último domingo (26), foi um grande dia, mais uma conquista, mais uma vitória e mais uma história pra contar. Eu, que estava abalada psicologicamente nas últimas semanas achando que não conseguiria, consegui!!

Não havia percorrido uma distância maior que 30km nos treinos, e isso estava me abalando, me deixando em dúvida.

Foi dada a largada! Emoção percorre dentro das veias e arrepia. Nos primeiros quilômetros enquanto seguíamos em uma direção, já do outro lado da pista na direção oposta, passam pela gente os maratonistas deficientes visuais e cadeirantes, e isso arrepia mais ainda, nos faz pensar e repensar nossas atitudes, nossas dificuldades, nossa humildade como seres humanos, nos dando motivação ainda maior.

Pelo km 3 aproximadamente, tive que utilizar o banheiro químico da prova, mesmo já tendo ido ao banheiro antes da largada, acho que a ansiedade estava a mil rsrs...

Eu e Marise fomos administrando nosso pace durante todo o percurso, não precisamos caminhar nas subidas mais duras. Devagar e sempre.

Ao ultrapassar o km 30, me emocionei, as lágrimas se misturaram ao suor escorrendo pelo rosto e logo veio uma sensação de alívio ao perceber que eu estava bem e pensar que faltavam só mais 12km para completar a prova.

Algumas caminhadas foram necessárias durante a hidratação e o gel, mas nada significante, apenas para facilitar a decida pelo esôfago até o estômago.

Pelo km 33 mais ou menos, encontramos o Cris (marido da Marise). No km 34/35, não me lembro bem, acabei me distanciando um pouco dos dois, fiquei pouca coisa à frente, porém, não olhava mais para trás, nem para frente, apenas para o chão e para as pessoas torcendo por nós corredores.

No km 37, ouço uma voz aclamando meu nome! Olho e faço pose para a foto. Era a Fernanda, esposa do Rodrigo, mais uma torcedora.


Continuo minha missão. No final de Copacabana, quase entrando no túnel encontro mais uma pessoa muito especial, meu namorado André, que me acompanhou até a linha de chegada. Uma força extra para os "finalmentes".

Já avistando o pórtico da chegada, encontro o Rossy, nosso treinador. Uma das pessoas responsáveis e importantes por essa minha conquista.

E como em toda corrida, um sprint no final rsrsrs...... nos últimos 100 metros, pois não aguentava mais.....


Chegando à tenda da assessoria UpsportsClub, encontro minha mãe, que pela primeira vez foi me prestigiar numa corrida no Rio. E um abraço forte acalenta meu coração.

Quando pensamos em fazer uma maratona e comentamos com colegas e conhecidos, as reações são as mais diversas possíveis. Há os que dizem que somos loucos; para que queremos isso?; por que gostamos de correr?; qual a necessidade?; e há também os que nos apoiam, nos incentivam, nos motivam e nos servem como exemplos, que queremos seguir.

Sabe por que eu corro?

Eu quero chegar aos 70 anos sem ter que usar a fila preferencial por não aguentar ficar de pé, por consequência do sedentarismo durante a juventude dos 20-30 anos.

Eu quero ter percorrido lugares diferentes do mundo correndo.

Eu quero fazer mais maratonas.

Eu quero alcançar a linha de chegada sendo aplaudida e chorando de emoção, assim como aconteceu neste domingo!

Quero ser motivo de orgulho aos meus pais, aos meus futuros filhos, à minha família.

Obrigada a todos!

Agora posso me considerar uma MARATONISTA!
E que venham as próximas!


quarta-feira, 22 de julho de 2015

Gracias a la vida!



Sim, podemos fazer isso! Rumo aos 42 quilômetros!
Na última terça-feira dia 21/07, levantei como de um salto às duas da manhã.  Eu havia ido dormir antes das 22h após colocar as crianças para dormir. De repente podia ser fome, logo tomei um leite. Os minutos se passavam e eu não conseguia pregar o olho. Tentei ver um pouco de tevê: nada feito. Liguei o Kindle: negativo, sem paciência para ler. Fechei os olhos e quase imediatamente tive o que chamo de crise de ansiedade: taquicardia, um pouco de desespero e... lá estava o medo de não completar a prova. Fiz minhas orações, dormi no sofá da sala pra não incomodar ninguém e finalmente, consegui dormir.

Esta foi a primeira vez que tive uma crise de pânico ou ansiedade mais intensa desde o ano passado, quando precisei ficar de licença médica por muitos dias. Aquela situação extrema ocorrida em 2014 foi o sinal de que algo estava indo mal. 

Passado o turbilhão,  decidi voltar a praticar exercícios físicos de forma séria e daí surgiu a maratona, como uma forma de deixar a doença definitivamente para trás. A corrida, que sempre me ajudou a relaxar, aliviar minha ansiedade (exatamente como o Rodrigo trouxe anteriormente), não podia funcionar sozinha, daí a necessidade de psicoterapia, fármacos e, principalmente,  Deus.

Seja como for, passei a terça-feira feira inteira tentando entender o que acontecera. Eu havia ido da euforia à derrota em pouco tempo! Estava (e estou) tão animado com a premência da prova que nunca havia me passado pela cabeça não conseguir completar. Eu havia dito à Dani Sixel e à Fernanda Monteiro que estava preparado. E realmente estou!

Buscando explicações, encontrei algo. Em primeiro lugar, a reportagem passada no Esporte Espetacular de domingo último (veja a reportagem aqui). O corredor que teve uma parada cardíaca no km 18 da Golden Four deste ano no Rio de Janeiro. Exames em dia, treinamento completado sem problemas, 14 meia-maratonas anteriores, mas alguém que não soube ouvir o corpo, afinal tivera um cansaço antes da subida do Joá. Um médico vindo a menos de 100m atrás lhe salva a vida. Anjo da guarda? Deus? Sorte? Acaso? Fatalidade? Não sei explicar. Poderia ter acontecido com qualquer um, mas por que justo com ele? Terei eu a paciência de ouvir meu corpo? Encontrarei ajuda se precisar? Ok, lição número 1 (ou algum número acima de 1 bilhão) aprendida.

Por último, a imagem do Fabinho (um de meus ícones neste esporte tão profissional, e tão amador) quebrando exatamente a uma semana da prova. Uma lesão que apareceu no momento errado e que talvez não possa ser tratada a tempo me fez concentrar-me na minha própria queixa dos últimos meses: meus pés. Estou há um tempo sem conseguir me tratar corretamente. Minhas dores quase sumiram, mas ainda estão lá.

Por este estado de coisas, decidi não treinar ontem (terça-feira). Quero dar descanso aos meus pés e à minha cabeça.

É hora de buscar lá atrás as motivações que me fizeram correr esta distância: minha saúde, o carinho da minha família- uma forma de agradecê-los por tudo: minha mãe e meu pai, por todas as perfeições e imperfeições e por nunca desistirem de mim, meu irmão, amigo e companheiro (talvez de quem eu mais sinta falta na vida), a felicidade que é estar ligado por laços eternos à minha esposa e pelas crianças maravilhosas que me deu. Seja qual for o resultado, sei que estarão lá pra me apoiar como sempre fizeram. Aos meus irmãos da Igreja, meus alunos e colegas de trabalho que me motivam a ir mais longe. Aos colegas corredores e ao Rossy, pela companhia e sorrisos a todo momento. A Deus, minha maior motivação. Não importa o quanto eu corra, só aí encontro paz.

Isabelle e Rodrigo, companheiros deste blog, pela grande equipe que pudemos formar, esperando que esta seja apenas nossa primeira parceria. Sei que vamos conseguir isto juntos.

Everton, seguirei seus conselhos à risca: esta semana será cheia de positividade!!!!! Obrigado pela serenidade e experiência. A chegada é logo ali!

Este é meu último relato antes da prova. Termino deixando uma música de uma das minhas preferidas: Mercedes Sosa. Estivemos presentes na última vez em que esteve aqui no Rio de Janeiro, poucos meses antes de morrer e me surpreendi com a sua garra ao superar suas dificuldades físicas (como locomover-se) para impostar sua voz inconfundível. Por isso, obrigado à vida por tudo o que me dera. Desejo, através dela, que cada um desses anônimos corredores consiga completar a prova, gente como eu, com suas dificuldades, trabalho, família, dramas pessoais. Aos amigos da Upsports minhas especiais orações e o meu muito obrigado!


terça-feira, 14 de julho de 2015

Quebrando barreiras

Depois de ler o post do meu amigo Tarso, não poderia deixar de escrever também.

Meus últimos treinos infelizmente não puderam ser na companhia dessas duas figuras, Rodrigo e Tarso.

Então, venho dizer em poucas palavras e muito emocionada por detrás dessa tela do notebook. Quase que uma confissão, um desabafo online rsrs...

Não sei se irei alcançar a linha de chegada da maratona antes de vocês, nem sei mesmo se irei chegar, mas não desistirei, nem que seja caminhando. Quem sabe??

Os treinos vêm sendo uma carga muito pesada a ser carregada e a parte emocional é a que está me afetando mais penosamente, nunca achei que isso iria acontecer, a vontade de desistir é imensa e tentadora.

Ainda não passei dos 29km nos treinos. Não que isso signifique que não estou preparada fisicamente, mas mentalmente e psicologicamente isso pode ser uma barreira muito grande a ser quebrada no dia da corrida.

Portanto, gostaria de agradecer desde já todos aqueles que estão me apoiando, me dizendo palavras de incentivo e me ajudando a superar o "mental". Rodrigo, Tarso, Rossy, Fabinho, Thiago e principalmente Everton.

Já cheguei até aqui, agora farei de tudo pra chegar ao final.


São em palavras como estas que tento me fortalecer!

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Devagar e sempre: os amigos e a corrida

Daqui a treze dias se tudo der certo eu estarei cruzando a linha de chegada junto com o Rodrigo, um pouco depois da Isa, do Fabinho, do Leo, do Jorge, do Thiago, do Cristiano e da Marise. Na verdade não importa o fato de chegarmos antes ou depois dos outros, mas a eufórica esperança, quase uma certeza: a de que chegaremos. Da ideia de correr a maratona até hoje já se vão quatro longos e intensos meses. Neste período eu, Isa e Rodrigo conseguimos fazer três treinos juntos e a experiência  foi válida, muito agradável.

Por conta de horários, eu e Rodrigo acabamos nos aproximando e fizemos os dois últimos longões juntos: dias 5 e 12 de julho, ambos em domingos, ao contrário dos demais, que treinaram no sábado. Sim, domingo, exatamente porque amigos aparecem exatamente nessas ocasiões. Neste caso na dificuldade de conciliar a vida particular com a prática esportiva. No domingo retrasado eu não poderia treinar no sábado, preparando a festa de aniversário da Marthinha e Rodrigo apareceu prontamente disposto a  trocar seu treino de sábado para domingo, afinal vinha se recuperando de forte gripe, como contou-nos em outro post. Ontem, pelo contrário, o pedido era dele para que treinássemos no domingo por conta de sua pós-graduação no sábado (Rodrigo quer se tornar o pica das galáxias na área de marketing, jornalismo, vendas, gestão, mídias sociais... rsrsrs). Topei na hora, pois prefiro o treino aos domingos. 

No entanto, surgiu um compromisso na Paróquia onde frequento e sou responsável de uma comunidade do Caminho Neocatecumenal e não podia faltar de nenhuma forma. Resultado: pedi ao Rodrigo que nos encontrássemos na Praia de Icaraí às seis da manhã (!). Isso porque eu sairia cerca de 25 minutos antes pra dar tempo de aparecer na reunião ainda de manhã.

Confesso que não foi nada agradável correr com a Estrada Fróes totalmente às escuras, afinal também tenho medo de ser vítima da violência que assola a nossa bela cidade de Niterói. Segui em frente, certo de que aquela seria a última vez em que eu me levantaria às cinco da manhã para treinar para a Maratona do Rio.

Tudo correu conforme o planejado: corremos soltos, com a sensação de que ainda podíamos fazer mais. Íamos conversando e relaxando, era divertido ganhar os quilômetros que se acercavam! Desta vez não só eu falava, mas Rodrigo também conversava, sinal de que o treino não era um fardo. Em certo momento eu o disse que estávamos indo muito devagar, mas desistimos de apertar o passo, pois não era tão lento assim. 

Nunca escondi que o meu maior objetivo era terminar a prova e se estivesse inteiro ao fim, melhor.

É inevitável a imagem da lebre e da tartaruga vir à mente, na certeza de que nossas passadas firmes nos levarão ao final.

Encontrei esta imagem na web. Já diz tudo! 

Espero que no dia 26 de julho, apesar do nervosismo e da ansiedade, eu possa me divertir durante a prova, exatamente como eu me diverti neste domingo.

Estas duas semanas que tenho pela frente serão para imaginar como será minha chegada, minha família a me esperar. Vai ser lindo. Vou chorar? Não sei, mas sei que a linha de chegada vai significar também mais um par de amigos (Rodrigo e Isa). É disto que é feito a vida e a corrida.

E como diz o Rossy: "Força na careca"!

terça-feira, 2 de junho de 2015

Como diziam os veteranos...

Eu não treino para uma prova específica, eu treino para a vida. Eu treino porque gosto e porque isso se tornou meu hobby. Mesmo não conseguindo treinar como o planejado, o importante é treinar!

Semana passada não foi muito produtiva. Na terça-feira, eu deveria fazer um treino de 13km. Saí de casa com a expectativa de realizá-lo. Chegando na Praia de Icaraí, a vontade de usar o sanitário estava grande (para fazer o número 1 = xixi rsrs.... faz parte). Então, como sempre faço, segui em direção a um barzinho de esquina onde costumo pedir pra usar o banheiro, mas fui surpreendida com uma limpeza tão bem feita no mesmo que o cheiro de água sanitária me "intoxicou" de uma maneira muito estranha, de tal forma que saí de lá tossindo e sem ar. Parece uma história meio sem nexo, parece até mentira, meio inesperada, mas sim... essas coisas acontecem. Pronto. Isso foi o ápice do meio treino mal feito. Saí de uma expectativa boa para uma inesperada.

Dei um tempo, sentada num banco do calçadão da praia, esperando uma melhora e logo depois segui novamente com a corrida. No meio do caminho encontrei com o Cris e com a Marise, parceiros da Equipe de Fibra, que lutam por uma causa nobre - a Fibrose Cística (veja o post anterior aqui) - e os acompanhei durante um pequeno percurso. Devido a essa minha debilidade "intoxicante", só consegui fazer 8,5km.

Na quinta-feira, novamente meu treino seria de uns 13km, porém, intervalado em ritmos forte e mais lentos. Entretanto... chuva!!! E muita chuva... acabei não treinando também.


Na sexta pela manhã, mesmo com uma garoa fraca, levantei da cama, coloquei o tênis mais velhinho e fui correr. Minha intenção já não era fazer os 13km. Afinal, no dia seguinte (sábado) encararia novamente os 25km, de acordo com a planilha.

E não posso dizer que não gosto de correr com chuva, é muito bom: o calçadão da praia fica vazio, a temperatura, agradável e o tênis nem encharcou muito. Esses são os melhores treinos, os mais legais, na minha opinião. É lindo correr num dia ensolarado, digno de fotografia e postagem no Facebook, mas o dia de chuva é especial!!

Sábado, dia de realizar 25km. Infelizmente, aquela manhã não foi a mais gloriosa. Aprendi o verdadeiro valor da palavra QUEBREI. Não foi muscular, não foi queda de pressão, não foi físico. Foi puramente psicológico. Fiquei decepcionadíssima. Arrasada. No km 14, comecei com os (maus) pensamentos; no km 16, já comecei a caminhar e, daí até o km 20, aproximadamente, havia caminhado uns 2 km. Fui resgatada pelo carro da assessoria Upsports Club. Em todo momento, tive o apoio dos meus colegas Tarso e Rodrigo, porém, tristemente, isso não foi o suficiente para mim naquele dia.

Os veteranos Rossy e Fabinho disseram: "Isso é natural, acontece" e, assim, mais uma frase entrou para o meu menu de experiências. Mesmo sendo uma realidade não desejável.

No dia seguinte, domingo, fiz minha primeira corrida com obstáculos, a Bravus Race. Uma corrida exótica, diferente de todas que já fiz. Foram 5km de corrida entre 15 obstáculos dificílimos, em nível de treinamento para as Forças Armadas do Brasil.

A corrida aconteceu no Centro de Educação Física Almirante Adalberto Nunes (Cefan) - RJ. As largadas ocorreram em baterias. Largamos eu e meu namorado (e com sorte encontramos um querido amigo, que junto de seus colegas nos ajudaram a superar as dificuldades da corrida), numa manhã chuvosa e fria, sem saber o que nos esperava ao longo de todo percurso. Muitos desafios, muita lama e muita água congelante. Foi uma experiência única, sofrida, mas que com certeza faria novamente.

E assim fechei o domingo, bem menos decepcionada. Nada como uma corrida após a outra para nos dar ânimo.


Como já diziam os veteranos, são nos treinos que temos que passar por todas as situações prováveis e possíveis que podem ocorrer durante a prova oficial. A chuva e a decepção por ter quebrado são uma dessas situações, tudo faz parte do treino. A meta é chegar no meu limite, ao extremo, para que no dia da prova, aquilo não seja mais um limite e nem um extremo.

Rumo à Maratona do Rio 2015!!

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Das Trevas à Areia

Este post é dedicado à minha filhota do meio, por me ajudar a encontrar a luz que me ajudou a me recuperar mais rápido, saindo, pois, das trevas e me levando à areia.

Crianças são anjos que Deus enviou para nos ajudar. Eu tenho a felicidade de ter três. Na quinta-feira retrasada eu estava de saída para a Igreja quando Martha correu ao armário e voltou com um par de tênis dizendo: papai, vai com esse aqui que sai luz, por favor (ela falou isso porque ele brilha no escuro). Atendi seu pedido e saí naquela noite com estes calçados nada convencionais. Os tênis em questão eram os Asics Tri Noosa 6, os meus preferidos, que quase nunca uso, para preservá-los, já que já estão macios.

Por incrível que pareça, desde aquela noite não tive mais dores incapacitantes no pé. Claro que continuei com eles todos os dias seguintes, acho que por pura superstição. Ainda me assusto só de pensar que ela, propositadamente ou não, colaborou com meu retorno, me dando ânimo ao me fazer crer que estava melhorando.


O fato é que sábado finalmente voltei a correr. Eu esperava com muita ansiedade por este momento. Não fui para o askm na areia dura, afinal, não dava pra arriscar meus pés na dureza do negrume logo de cara. A orientação do Dr. Bernardo foi bem clara: "VAMOS DEVAGAR".

Corri como de hábito às 6h. Tudo foi perfeito, tanto que meu sorriso estava estampado no rosto desde a primeira passada. Não me preocupei com tempo nem pace. Qual não foi minha surpresa ao ver que fechei abaixo de 6min/km! O resultado imediato foi a planta do pé um pouco dolorida, mas nada demais. Todo atleta sente uma dorzinha em algum lugar. Claro que percebi que meu condicionamento físico piorou um pouco e que não sou capaz de fazer mais de 10km nesta semana. Vamos ver como as coisas evoluem.



O mais importante é que me senti vivo novamente. Desde a lesão tenho feito exercícios para o pé, tendão de aquiles e panturrilha ao menos três vezes por dia. Isso inclui também passar o tal sebo de carneiro, pisar na bolinha várias vezes ao dia, alongar meu pé com a thera band, massagear a planta do meus pés com uma garrafa d'água congelada e, finalmente, dormir com as imobilizações noturnas para o pé, específicas para o tratamento da fascite plantar.  Também não dá pra descartar as prescrições médicas e familiares (como as da Marthinha).

Além da disciplina dos exercícios, da paciência pra saber a hora de voltar, ainda tive que mudar minha postura durante o sono, afinal não posso mais dormir de bruços.

Não sei o que deu certo disso tudo, se algo individualmente (principalmente a banha de Carneiro Capado) ou se tudo junto e misturado. O importante é que vem dando certo! E assim vou eu, perdi um pouco de tempo, mas ainda terei muitas oportunidades de me preparar adequadamente.

E vamos que vamos! 




terça-feira, 5 de maio de 2015

Minha vez: meus primeiros 25km

Todo treino tem um objetivo, um foco, pode ser ele regeneração, diminuir tempo, alcançar metas e até mesmo aumentar distâncias.

Sábado passado, fiz um treino de 25km, e já adianto que não foi fácil. É mais que uma meia maratona e menos que uma maratona, porém, um pouco mais que a metade dela.

A princípio, o Tarso iria me acompanhar de bicicleta, me encontraria na Praia de São Francisco, em Niterói, e iria até onde ele pudesse. Ao final, eu terminaria meu treino sozinha, mas, devido a imprevistos familiares, não foi possível eu receber essa ajuda psicológica e motivacional da parte dele, infelizmente.

Então, dei início ao treino por volta das 6h45min daquela manhã de sábado, gosto muito de correr no sentido São Francisco, saindo de Icaraí e indo até o limite da orla, na Fortaleza de Santa Cruz, onde se instala uma base do Exército. Porém, quando realizo este treino sozinha, sempre fico me perguntando se seria muito perigoso, a chance de ser assaltada é sempre maior, ainda mais sendo mulher e sozinha.

Mas precisava fazer 25km, e Niterói não tem muitas opções de percursos, então me decidi e resolvi fazer estre trecho mesmo. De Icaraí até a Fortaleza, são aproximadamente 10km, onde parei para fazer hidratação e tomar um gel; e também tive de utilizar os sanitários (pra quem não sabe, eles se localizam na parte detrás do que seria o antigo restaurante que existia lá), pensando sempre que estes imprevistos podem acontecer durante um treino, como durante a própria maratona. Resolvi voltar, fazendo o mesmo percurso de ida, sem me demorar muito para não "esfriar" o corpo.

Por volta do km 16-17 encontro com Fabinho, Jesus e o treinador Rossy indo em sentido oposto ao meu. Os mesmos também estão treinando para a maratona. Neste momento, as dores começaram a ficar maiores; é aquele momento em que não se pode pensar muito em si mesma, temos que manter o foco dos pensamentos em coisas aleatórias e não parar para nada. E, quando digo não parar, é não parar mesmo, mesmo o pace chegando a 7min/km... respire e continue... e, assim, no km 19 já estava um pouco mais controlada psicologicamente e as dores não eram um problema muito grande. Fiz mais uma hidratação rápida e tomei mais um gel.

Alcancei o km 20 em Icaraí novamente na tenda de assessoria da UpsportsClub, mais uma hidratação com isotônico e o psicológico abalado novamente, pois ainda teria que fazer 5km na Praia de Icaraí. Dei duas voltas na praia e isso me matou, a vontade de parar junto com as dores eram enormes. Mas a vontade de completar os 25km eram maiores. E, finalmente, completei meu treino. Uma distância nunca feita antes, mas finalizada com muita determinação, afinal o treino todo fiz sozinha, eu e meus pensamentos, eu e meus objetivos, uma determinação exorbitante que gritava mais alto que as dores musculares.




PS: Não posso deixar de agradecer ao Edgar, que me ajudou nos alongamentos pós-corrida.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Os 25km estão chegando e a Maratona também (ou: A importância do treinador de corrida)

Não sei como as pessoas se comportam frente às dificuldades. Eu desisto das coisas muito fácil, por isso tenho sempre que me manter muito focado. Um dia ruim no trabalho, uma chateação em casa ou um programa na televisão já são suficientes pra fazer com que aquelas perguntinhas voltem à minha mente: "Pra que estou fazendo isso? Vale mesmo a pena? Você não vai conseguir. Espera amanhecer. Fica por aqui só hoje, amanhã você vai." E assim deixo de treinar. Ainda bem que tenho estímulos diários que incluem inclusive os comerciais de televisão (um dia vou falar deles aqui), frases de motivação, este blog que aqui se encontra, além do grupo de whatsapp e as trocas de mensagens de texto.



Por falar nisso, estava eu trocando mensagens com o treinador, verificando os novos treinos, cada vez mais adaptados à Maratona propriamente dita e me surpreendi com o fato de já haver na planilha um treino superior à distância da Meia-maratona, no caso 25km daqui a dois sábados. Na hora me lembrei do treino no ano passado no Recreio dos Bandeirantes, quando, tentando acompanhar a Natália Nestal (que treinava para a Maratona), o treinador e sua bicicleta (a Upa-Upa), acabei por completar 25 km pela primeira vez aos trancos e barrancos, quebrando, inclusive. Naquela ocasião pensei que nunca conseguiria completar os 42 km.

Confesso que fiquei muito feliz ao ver a planilha, afinal meu último longão no sábado passado foi realizado de maneira tranquila, num ritmo confortável de 5:45 min/km. E eu ainda achei que estava mais lento, pois meu estado geral era muito bom. Foi muito difícil controlar o pace tendo apenas a velocidade como parâmetro.  Culpa do meu Garmin 305 e do meu falecido 220... Não vejo a hora do meu Suunto Ambit 2 chegar, dizem que este relógio é muito bom.

Ainda nesta troca de mensagens, novamente Rossy me chamou a atenção para a minha ansiedade e pouca paciência nos treinos, afinal já me viu quebrar e/ou me lesionar por ir rápido demais, sem respeitar os limites do meu corpo. É ele quem anda sofrendo com o excesso de mensagens sobre treino ou outras questões. 

Rossy Borges, o treinador e sócio da UpsportsClub,  sempre foi uma referência.  Amigo de amigos meus (afinal moramos em Niterói,  lugar onde todos se conhecem), nunca o vi como um corredor excepcional, como outros da equipe, como Léo, Fabio, professor 100% Fabinho, Thiago ou Jorge (só para pensar em alguns), mas como um profissional extremamente competente e sempre disponível. Não sei também como ele entrou neste ramo do atletismo, ainda que profissional de Educação Física. Nossa relação oscila entre colegas de boteco, psicólogo e coach técnico. Acho que isto quer dizer profissionalismo: saber afagar quando precisa, dar um sorriso na tristeza e falar firme quando encontra a preguiça ou a estagnação. Ele faz exatamente o que eu espero dele: define os melhores treinos para mim, respeitando a minha gradual evolução, mantém minha motivação em alta e me desafia com uma variedade de exercícios que confesso que, a princípio, acho que não vou conseguir. 

Há aqueles que não precisam de treinador. Eu, definitivamente, preciso de alguém, só funciono no tranco.

sexta-feira, 6 de março de 2015

Foi dada a largada! Faltam 142 dias para a primeira Maratona do resto de nossas vidas!

Foi dada a largada! Sejam bem-vindos

 Pelos próximos meses- e quem sabe os seguintes- esperamos contar aqui os relatos de três amigos, três problemas na coluna (hérnias e protusões), três filhos, sua busca aos 42.195 metros da mais conhecida prova de corrida (e de superação pessoal) do atletismo mundial.
    
     
Isabelle, Rodrigo e Tarso, cada um a sua maneira e sem obrigatoriedades, amarras, periodicidade ou prazo, tentarão compartilhar neste blog todas as suas experiências até o desejado dia 26 de julho de 2015, quando todos esperam concluir pela primeira vez a Maratona do Rio de Janeiro.

O blog traz de tudo um pouco, desde prática esportiva a experiência de vida. 

Há vários mitos em torno dos 42 km, muita complexidade e curiosidades. 

Você sabia que em 42 km podemos, por exemplo, sair de Niterói (nossa cidade) e chegar à longínqua Barra da Tijuca? E que esta distância equivale a dar quase 53 voltas em torno da circunferência do Novo Maracanã (não sua pista de corrida, que tem cerca de 1800 m de extensão) ? Mais: Se colocarmos um pé de tênis de corrida tamanho 43 atrás do outro demarcando o percurso da prova, chegaremos ao incrível número de 140.650 unidades! (Fonte: Cálculos loucos do Historiador Tarso).

A distância da Maratona é mais de 200.000 vezes o tamanho da Careca do nosso professor e responsável por nossa preparação, Rossy Borges, da Upsports Club!

E você, tem alguma curiosidade relacionada à Maratona para nos contar? Divirtam-se!

Em tempo: Três na Maratona não tem Treze letras...