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segunda-feira, 13 de julho de 2015

Devagar e sempre: os amigos e a corrida

Daqui a treze dias se tudo der certo eu estarei cruzando a linha de chegada junto com o Rodrigo, um pouco depois da Isa, do Fabinho, do Leo, do Jorge, do Thiago, do Cristiano e da Marise. Na verdade não importa o fato de chegarmos antes ou depois dos outros, mas a eufórica esperança, quase uma certeza: a de que chegaremos. Da ideia de correr a maratona até hoje já se vão quatro longos e intensos meses. Neste período eu, Isa e Rodrigo conseguimos fazer três treinos juntos e a experiência  foi válida, muito agradável.

Por conta de horários, eu e Rodrigo acabamos nos aproximando e fizemos os dois últimos longões juntos: dias 5 e 12 de julho, ambos em domingos, ao contrário dos demais, que treinaram no sábado. Sim, domingo, exatamente porque amigos aparecem exatamente nessas ocasiões. Neste caso na dificuldade de conciliar a vida particular com a prática esportiva. No domingo retrasado eu não poderia treinar no sábado, preparando a festa de aniversário da Marthinha e Rodrigo apareceu prontamente disposto a  trocar seu treino de sábado para domingo, afinal vinha se recuperando de forte gripe, como contou-nos em outro post. Ontem, pelo contrário, o pedido era dele para que treinássemos no domingo por conta de sua pós-graduação no sábado (Rodrigo quer se tornar o pica das galáxias na área de marketing, jornalismo, vendas, gestão, mídias sociais... rsrsrs). Topei na hora, pois prefiro o treino aos domingos. 

No entanto, surgiu um compromisso na Paróquia onde frequento e sou responsável de uma comunidade do Caminho Neocatecumenal e não podia faltar de nenhuma forma. Resultado: pedi ao Rodrigo que nos encontrássemos na Praia de Icaraí às seis da manhã (!). Isso porque eu sairia cerca de 25 minutos antes pra dar tempo de aparecer na reunião ainda de manhã.

Confesso que não foi nada agradável correr com a Estrada Fróes totalmente às escuras, afinal também tenho medo de ser vítima da violência que assola a nossa bela cidade de Niterói. Segui em frente, certo de que aquela seria a última vez em que eu me levantaria às cinco da manhã para treinar para a Maratona do Rio.

Tudo correu conforme o planejado: corremos soltos, com a sensação de que ainda podíamos fazer mais. Íamos conversando e relaxando, era divertido ganhar os quilômetros que se acercavam! Desta vez não só eu falava, mas Rodrigo também conversava, sinal de que o treino não era um fardo. Em certo momento eu o disse que estávamos indo muito devagar, mas desistimos de apertar o passo, pois não era tão lento assim. 

Nunca escondi que o meu maior objetivo era terminar a prova e se estivesse inteiro ao fim, melhor.

É inevitável a imagem da lebre e da tartaruga vir à mente, na certeza de que nossas passadas firmes nos levarão ao final.

Encontrei esta imagem na web. Já diz tudo! 

Espero que no dia 26 de julho, apesar do nervosismo e da ansiedade, eu possa me divertir durante a prova, exatamente como eu me diverti neste domingo.

Estas duas semanas que tenho pela frente serão para imaginar como será minha chegada, minha família a me esperar. Vai ser lindo. Vou chorar? Não sei, mas sei que a linha de chegada vai significar também mais um par de amigos (Rodrigo e Isa). É disto que é feito a vida e a corrida.

E como diz o Rossy: "Força na careca"!

terça-feira, 23 de junho de 2015

No asfalto e na tela: Maratona do Amor


Sempre gostei muito de cinema e sempre quis escrever sobre filmes de corrida, ou que se relacionassem com ela de alguma forma: filmes esportivos, superações, dramas, comédias, etc. Abre-se então, uma nova coluna no nosso blog e sempre que possível, os filmes também farão parte do blog, além das resenhas de livros.

Lembro-me de ter visto "Maratona do Amor" (Run Fatboy Run, 2007) quase meio sem querer, buscando aleatoriamente filmes na locadora, para distração. Obviamente me diverti bastante com o filme e me surpreendi com o ator principal, Simon Pegg, até então quase desconhecido para mim (depois o vi atuar em diversos outros filmes com a mesma competência e pitada de humor inglês). Ahh, o filme foi dirigido por David Schwimmer, o "Ross Geller", de Friends!



Narra a história de superação envolvendo Dennis (Simon Pegg), que sofre com o estigma de irresponsável por nunca conseguir concluir nada na vida, fugindo dos problemas, deixando, inclusive, sua ex-noiva Elisabeth (Thandie Newton) grávida, no altar. Dennis se dá conta do erro cometido e busca reconquistar a confiança e o amor de Elisabeth e de seu filho Jake (Mathew Fenton), mas para isso precisa provar para si mesmo que é capaz de concluir uma maratona. A prova se torna também uma disputa entre Dennis e o então namorado de Elisabeth, With (Hank Azaria).

Dennis, ex-fumante, sedentário e fora do peso, muda radicalmente sua vida, troca seus antigos hábitos e espera enfrentar Whit, um desportista exemplar.

Para além das redes que envolvem a trama, gostaria de destacar os aspectos que me tocaram na última vez em que revi o filme, já pensando na vindoura Maratona do Rio de Janeiro.


Durante a preparação, muitos foram os obstáculos a serem enfrentados por Dennis, que só conseguiu se inscrever correndo em prol da Disfunção Erétil. O desenho nas costas (e que eu não tenho) também é engraçado.


Um momento do seu treinamento, o esforço feito no dia a dia para conseguir alcançar sua meta.


O dono do imóvel em que ele reside e sempre atrasa os aluguéis, Sr. John Ghoshdashtidar (rsrsrs), apesar dos problemas que tinha com Dennis, se mostra um sujeito muito amável e o apoia bastante no seu projeto. Na foto o vemos presenteando o protagonista com um par de tênis novos.

As fotos abaixo remetem a instruções clássicas dos treinadores a quem se prepara para correr uma maratona: a ingestão de carboidratos  e a proteção aos mamilos. Detalhe no produto indicado por seu amigo Gordon para proteger os mamilos e, provavelmente, lubrificar outras partes...


O dia da prova começa caótico, pois Dennis acorda atrasado e não tem o tempo devido para sua preparação. Faz um alongamento nada convencional e, por fim, passa o gel nos mamilos.

"Run fatboy, run", diz Whit a Dennis, menosprezando sua força de vontade e persistência na busca de seu ideal. A resposta de Dennis é clara: "eu posso até perder peso, mas você sempre será um babaca". Ou seja, a nosso percentual de gordura não nos diz nada sobre nosso caráter.

Após uma breve disputa, ambos os corredores se veem lesionados, culpa de Whit. Para este, foi o fim da prova, enquanto para Dennis, representou mais um duro obstáculo a superar.

Ao recusar a ida para ser atendido no hospital (implícito no filme), nosso protagonista inicia sua própria maratona, mais dura que os simples 42 km, ainda que a organização da prova já a tenha encerrado oficialmente. Enquanto corre a passos lentos e sofridos, ele vive um drama, que é também o drama de cada um que o segue pelas já escuras ruas da cidade de Londres. O drama também é o de cada um, que inscrito na maratona, tem uma meta a alcançar, algo ou alguém por quem correr e seu sofrimento para alcançar este sonho.

A imagem abaixo ilustra o momento em que o corredor bate no muro que seu subconsciente cria para impedi-lo de continuar. Para muitos, esta barreira fica próxima ao quilômetro 30 da prova, quando muitos maratonistas, ainda que bem preparados fisicamente e dispostos a seguir, desistem da prova, mesmo sem entender o porquê. Parece que o cérebro simplesmente manda a mensagem de que não dá mais! Por isso a maratona é mais do que uma batalha física, ela é psicológica.


No auge do seu cansaço, prestes a desistir, ainda que lhe faltassem poucos metros para a chegada, ele vê a razão de estar ali, sua motivação e segue em frente. Uma força superior lhe vem de dentro e, num sprint final, conclui a maratona, correndo ao encontro de seus amores. Não importa o tempo feito, Dennis, de acordo com o filho, venceu a prova! Realmente, ele venceu! Alguém duvida?


quarta-feira, 17 de junho de 2015

Perder as calças, ganhar a vida. Sobre corrida e emagrecimento

Semana retrasada estive no consultório da Dra. Fernanda Monteiro, nutróloga e também corredora na mesma equipe que nós três. Foi bom perceber que já baixei muito o peso desde o início do ano passado.

Em fevereiro de 2014 voltei de uma viagem com a família e percebi que havia extrapolado: beirava os 96 kg!!!!! Vi-me obeso pela primeira vez na vida. Esta viagem coincidia com uma feliz notícia: acabáramos de nos descobrir grávidos pela terceira vez e agora, do tão esperado menino.

Novamente, tal como ocorrera com o nascimento das minhas meninas, me prometi manter uma vida saudável e emagrecer e assim, poder viver muito para ensinar algo para meus filhos, mas, sobretudo, apreender o máximo de experiências que eles pudessem me transmitir.

Lembro-me bem de dedicar minha primeira meia maratona ao nascimento da Marthinha em 2012 e à felicidade que era e é conviver com a Milena.

Pois bem, desde que comecei a me preparar para a maratona venho me percebendo mais magro e, principalmente, mais saudável, cheio de vida. Não só a corrida me ajuda a emagrecer, como também a lenta mudança nos meus hábitos alimentares.

Sugestões da Dra. Fernanda Monteiro para uma vida saudável.

Apesar das lesões que venho tratando e da minha ansiedade, que me impede de seguir à risca a dieta alimentar, venho realmente perdendo peso, o cinto das calças está cada vez mais apertado e as calças estão cada vez mais frouxas.

Nos últimos dias, apesar da sensação de que emagrecerei mais um pouco, fui impelido a comprar calças novas. Logicamente fui em uma loja de departamentos e comprei duas das mais baratas, certo de que elas também durarão pouco.

Tenho a certeza de que isto é o resultado não dos meus treinos, cada vez melhores e mais regulares, como também da mudança de, pelo menos, 80% dos meus hábitos alimentares e da suplementação que estou seguindo sob supervisão médica (basta ver a foto dos produtos que tomo no post anterior feito pelo Rodrigo).

Se a maratona fosse no próximo domingo, não tenho dúvidas de que conseguiria concluí-la.

Termino por aqui torcendo para que eu perca ainda muitas calças. Meu ganho é muito maior e mais consistente.

                                                     2014                             Agora.
(não dá pra notar muito a diferença, mas eu me conheço, isso é que importa. Rsrsrsrs)
                                             


quinta-feira, 28 de maio de 2015

Na estante do corredor: Correr, de Drauzio Varella


"Correr é experimentar uma liberdade suprema, é voltar aos tempos de criança."


Lembro-me de me deparar com o Dr. Drauzio Varella há cerca de três ou quatro anos no salão de leitura da Biblioteca Nacional, próximo à minha mesa de trabalho. Chamou-me a atenção o fato de aquele senhor parecer mais novo do que o que tantas vezes via na televisão. Também fiquei espantado com sua altura. Não sei se ele estava apenas visitando, esperando por alguém ou se viera, de fato, fazer uma pesquisa.

Sempre ouvi dizer que o Dr. Drauzio, além de bom médico e de excelente escritor e cronista, era corredor. Ainda que já o admirasse, o livro "Correr", lançado sob o selo da Companhia das Letras, no último dia 25 de maio, me surpreendeu. Não apenas pelo fato de que há vinte anos o Dr. Drauzio corre ao menos uma maratona por ano, feito por si só incrível, como também por humanizar sua figura, já que as constantes aparições na televisão o deram um status de celebridade nacional e, como tal, inalcançável a pessoas comuns como eu.

Tal qual um treinamento para a corrida, o livro se divide em duas partes principais, por meio de crônicas intercaladas: as experiências de vida que o ato de correr o proporcionam e explicações médicas sobre as principais questões que afligem os corredores. Desta feita, experiências adquiridas pelo autor nas maratonas de Nova Iorque, Boston, Chicago, Tóquio, dentre outras, sincronizam-se com explicações médicas para uma patologia que ele ou outro corredor possa ter experimentado concretamente. Há também a história da primeira maratona, a guerra ocorrida na Grécia na Antiguidade. Particularmente tenho a opinião de que tal questão não necessitava de tratamento, no entanto, entendo sua óbvia disposição na obra sobre o tema.

O grande objetivo do autor, ao meu ver, ao escrever o livro foi mostrar que a decadência não chega conforme os anos se avolumem. Pelo contrário, Dr. Drauzio Varella demonstra que não só seu corpo, mas sua mente insistem em se manter em plena forma e cumprir os diversos e crescentes compromissos que ele tem no dia a dia. A chegada emocionante e o abraço apertado nas duas filhas ao conquistar a vitória pessoal, completando a Maratona de Boston em 2014 com o impressionante tempo de quatro horas e dois minutos, não só comprovam a tese do autor, como também nos servem de alento para nunca desistirmos da prática de exercícios e da manutenção de uma vida saudável.

O autor, como todo maratonista ou corredor de rua, passou e passa por tudo aquilo que passamos. Quem nunca ouviu a frase: "Ihhhh, não faz isso não, isso faz mal ao ser humano!" Ou, quem nunca ao correr na rua percebeu olhares tortos ou comentários jocosos dos transeuntes, principalmente se estamos correndo antes de o sol nascer ou em dias ensolarados, propícios a uma praia? Quem nunca deixou de ir a um evento, uma festa, visando dormir cedo a fim de se preparar para uma prova? O livro é uma fonte de argumentos para podermos seguir em frente. Como disse certa vez José Saramago, "todo Homem é uma Ilha". Só quem já teve a experiência de enfrentar muitos quilômetros correndo sozinho pelas ruas pode sentir a multiplicidade de emoções que tal solidão provoca.

Chamaram-me a atenção duas questões tratadas no livro: (a) como o sacrifício pessoal lhe trouxe recompensas e (b) os relatos da primeira maratona (Nova Iorque, 1993) e da Maratona do Rio de Janeiro, em 2013. Estas últimas questões acho que nos tocam diretamente.

Não são raras as vezes em que Drauzio Varella relata os ganhos físicos, mas principalmente psicológicos que a corrida lhe trouxe. Apesar da dificuldade, do sofrimento que é para todos acordar de madrugada, justamente no horário em que o sono é mais arrebatador, o médico e escritor compartilha conosco a sensação de paz que se instalava no fim das corridas e que permaneciam durante todo o dia, ajudando-o a enfrentar a dureza dos compromissos. Ainda: tal qual nos relatou Rodrigo, em recente postagem, doutor Drauzio conseguiu, a partir de então, controlar melhor a ansiedade e a agitação da vida atribulada que sempre levou, tornando-se mais confiante, disciplinado e sereno.

A história de nossas provas é, definitivamente, a história de nós mesmos. O livro, narrando a história das provas completadas pelo médico, assim como outras aventuras (e desventuras) relacionadas à corrida, nada mais faz que trazer à tona suas lembranças mais singelas nos seus setenta anos de vida.

Para quem aguarda ansiosamente a chegada do glorioso dia 26 de julho quando, finalmente, esperamos completar a nossa primeira maratona, os capítulos relacionados à primeira maratona, em 1993, e à Maratona do Rio de Janeiro, em 2013, são tocantes. Não há como não se emocionar e não sofrer junto com Drauzio ao ler sua chegada em Nova Iorque, nem como não ser tocado pela linda descrição do percurso dos 42km da Maratona do Rio de Janeiro. Confesso que imaginei-me no dia da prova, foi irresistível.

Leitura imperdível, leve e agradável. Nos vemos por aí.


"Impossível imaginar quem eu seria hoje se eu não tivesse começado a correr" 

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Luto

Nos solidarizamos com todas as vítimas das diversas formas de violência 
que ocorrem diariamente em nosso país.