terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Sonhos de consumo - Top five!

Sem ideias para posts, o Tarso sugeriu que eu fizesse uma lista de provas que quero muito fazer um dia.

Como eu já subi um degrau, é natural que eu só pense em maratonas.

Bem, as cinco que me vêm à cabeça de cara são, não necessariamente nessa ordem:

Maratona de Chicago
Porque é uma das principais e o percurso favorece.



Maratona de Tóquio
Porque também é uma das principais do mundo e tenho vontade de conhecer o Japão.



Maratona de Atenas
Porque é a original, ora.



El Cruce
Pela superação de fazer uma ultra em lugares deslumbrantes da Patagônia chilena e argentina.



Maratona da Serra do Rio do Rastro (SC)
Pela beleza e pedreira, só subida! Se bem que há opção de 25k.



E você? Quais os seus sonhos de consumo? Sonhe alto!

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Correndo por aí (II) : Quissamã, RJ

Após um breve período de volta ao trabalho, eis que chega o carnaval e com ele novamente uma viagem com a família, desta vez para Quissamã, município do norte do Estado do Rio de Janeiro.
A cidade, de pouco mais de vinte mil habitantes, além de muito tranquila e organizada, é muito importante por conservar patrimônios históricos relacionados à produção de açúcar do Brasil.

Continuando meu exercício antropológico iniciado com Tegucigalpa, pude ver que a cidade contém uma malha cicloviária importante e muito usada pela população, devido à escassez de transportes públicos. No entanto, não vi outra pessoa que não eu a praticar a corrida pelas ruas do município.

Estive todo o tempo hospedado na Praia de João Francisco. A via de acesso mais utilizada é uma estrada asfaltada de cerca de 8km. Ela foi minha única alternativa para me manter ativo.

Comecei apenas na segunda-feira de carnaval, pois temia a quantidade de motoristas alcoolizados na via. Escolhi a data, pois neste dia quase todos se concentraram no Centro para o bloco das piranhas. Eu não perdi essa e, após retirar meus trajes femininos, enfrentei o desafio, que repeti na quinta-feira e que pretendo repetir amanhã  (minha despedida com um longão de 12km).

Apesar da falta de asfalto e das placas avisando sobre os animais silvestres e as cobras (??!!!) ocasionais na pista, pude me manter concentrado ao máximo. Ao fim obtive nos dois treinos tempos muito bons.

Foi a chance para experimentar meu novo par de tênis, provável companheiro para a maratona: o Brooks Ghost 7. Confesso que já o considero o melhor tênis de corrida que já tive em todos estes anos correndo. Meus novos pares de tênis serão tema de uma pastagem próxima.

Termino por aqui dizendo que agora me sinto definitivamente próximo da prova (apenas 16 semanas) e preciso me concentrar de vez neste novo desafio, que é mais difícil do que o do ano passado, pois agora a Maratona não é mais uma novidade. Focar-me nisto está muito difícil, eu confesso. Espero que o Rodrigo possa voltar logo pra gente botar o papo em dia (rsrs).

Um abraço e até logo!

Vista da estrada que liga o centro de Quissamã à Praia de João Francisco 

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Sabe quem é o tal do sóleo???

Fonte: RBCP

Já ouviu falar no tal do sóleo? Gastrocnêmio? Pois é, a corrida nos apresenta a nomes que antes desconhecíamos.

Depois da tal da banda iliotibial, que já lesionei três vezes, agora é a vez do sóleo, inicialmente a suspeita era do gastrocnêmio...rs

Em português: são músculos da panturrilha. O sóleo parece ser mais profundo. Foi onde arrumei um estiramento grau 2. Resultado: o último treino foi em 10 de janeiro e só volto a trotar após o Carnaval.

Corro desde 2011 e esta foi a quarta lesão. Perguntei ao médico se não era muito e ele disse que, em média, um corredor se machuca uma vez ao ano, é inerente ao esporte de impacto que faz bem para a cabeça. Li, em outra fonte, que cerca de 50% dos corredores se machucarão por ano. Nem tudo são flores...

“E se eu corresse 5km todo dia? Seria menos lesivo?”, perguntei ao médico. “Só se fosse bem leve. O ideal é dar um intervalo de recuperação”, me respondeu. Por isso, ele faz triatlo.

Mas eu não gosto de água gelada e andar de bike (que é o que posso e vou fazer para não ficar parado) só na academia, por causa da violência.

Sempre digo ao meu treinador que minha meta é atravessar o ano sem lesão, pois ficar um mês parado é muito ruim para minha mente ansiosa, além, claro, de perder o condicionamento.

Creio que tenha acontecido por ter atropelado a planilha em algumas ocasiões, pulando etapas. Vivendo e aprendendo cada vez mais.

Vida que segue. Sou movido a desafio, superação. O meu tem sido buscar o equilíbrio e minimizar os riscos, sem perder as metas de vista! Próxima? Segunda maratona.

Aos poucos vou aceitando: correr apenas para desopilar já não me basta. Sigo em frente enquanto tenho saúde para esses objetivos maiores.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Pernas pra que te quero


Quando comecei a escrever no blog, pensei: “como arrumar tanto assunto sobre corrida?”

Mas você começa a viver esse mundo do esporte e percebe que há muito mais que pensava.

Por exemplo, decidi me enfiar numa prova que é só descida, não pela facilidade aparente, mas porque vou visitar amigos no Canadá, onde a corrida acontece. Depois descobri que muitos participam dela para se qualificar para a Maratona de Boston.


Ao contrário do que a maioria deve pensar, descer não é tão fácil quanto parece. E eu resolvi pesquisar a respeito, pois tinha quase certeza que corria errado, ‘me segurando’. Aliás, corro. Tinha razão.

De tudo o que eu li e vi sobre a mecânica, o mais elucidativo foi um vídeo da soürun. Em resumo:

- Frear acentua o impacto;

- O correto é aumentar a frequência das passadas, diminuindo o tempo de contato com o solo, vejam no vídeo:


Ao menos para mim, descer parece bem mais complicado que subir. Vamos aos treinos!

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Correndo por aí: Tegucigalpa

Não sabia como seria minha vida pós-maratona. Muita coisa se passou desde o glorioso 26 de julho: muito repouso para curar lesões, problemas com medicamentos de uso contínuo, muita preguiça, muitos quilos que ganhei, mas muita alegria por estar vivo.

Desde o início de dezembro venho tentando retomar os ritmos dos treinos: sem sucesso. Seja por conta dos filhos, pela correria da entrega dos diários na escola ou pela hérnia que insiste em avisar que permanece viva por ali.

Este ano partimos de viagem para Honduras, na América Central, a fim de ver a família e celebrar mais um ano de vida da minha pequenina.

Em homenagem ao sétimo aniversário da minha mais velha decidi sair finalmente para correr. Após muito conversar com familiares, decidi fazer o que fazem todos por aqui: correr na pista de corrida do Estádio Olímpico de Tegucigalpa.

Ué, mas as pessoas não correm nas ruas por aqui não? Pois é, as ruas são praticamente desertas, pois a sensação de insegurança é grande e permeia a sociedade. Tegucigalpa, segundo dados recentes, tem a sexta maior taxa de homicídios do mundo 79,42 homicídios por 100 mil habitantes. Por isso, os carros tomam conta das ruas, pois, para piorar, o transporte público é péssimo e deficiente, além, claro, de inseguro.

A cidade não é muito diferente das nossas no Brasil e, a despeito de toda a fama adquirida por Honduras no cenário mundial (outra grande cidade hondurenha, San Pedro Sul, no norte do país, é a líder do ranking), nunca tivemos problemas em todas as vezes que visitamos o país. 

De toda forma, a pista de atletismo do Estádio Olímpico está nova em folha, havia policiais por todas as partes e as pessoas eram muito agradáveis (como sempre).

Pude, afinal, fazer meu primeiro treino do ano rumo à segunda maratona, uma corrida de 40 minutos ao redor da pista de 400 metros. Voltei cedo,  a tempo ainda de acordar minha filhota ao som de "Las Mañanitas".

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Muito obrigado a todos. Uma pausa para seguir em frente.

Em meu nome, do Rodrigo e da Isa, gostaria de agradecer a todos os que durante os últimos meses acompanharam nossa jornada visando a conclusão de nossa primeira maratona. No momento vamos dar uma pausa para pensarmos com clareza o que faremos do blog a partir de agora. Nós continuaremos correndo e ele também vai nos acompanhar. A dúvida é saber como isso se dará. Muitas surpresas e novidades nos aguardam nos próximos meses. Agora o que precisamos é descansar, recuperar as baterias (e o corpo) pra seguir em frente.
Um até breve a todos. Muito obrigado de coração pelo carinho demonstrado até aqui e pelas vibrações positivas recebidas antes, durante e depois da nossa prova.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Minha primeira maratona - Por Marise Basso Amaral

A primeira Maratona a gente...
...cansa muito, acha que não vai chegar, fica com medo.

Dá frio na barriga antes, durante e depois. Ficamos muito ansiosos na véspera. Vamos dormir pensando que temos que dormir e aí mesmo que não conseguimos. Temos que comer bem, aí vem aquela vontade de comer um saco de Amandita (delícia!). Vem aquela dúvida: " será que vou dar conta?", vem um momento que a gente acredita que poderá fazer até um tempo legal, que pode ser mais fácil do que parece (não é, pelo menos não ainda...) depois vem o pânico de nem terminar. Na verdade, ninguém sabe o que vai acontecer até a gente começar a correr e ir em frente quilômetro a quilômetro.

Confesso que escrevendo agora, depois de ter terminado a Maratona de domingo, me vem uma sensação esquisita... Acabou mesmo? Não tem mais treino? Não vou mais correr com a Isabelle atrás do Marcio e do Cristiano? Credo! Vou poder dormir no sábado de manhã! Acabou! Tão rápido!!! (praticamente 5 horas). 

Venho escrevendo sobre nossos treinos, sobre as corridas, sobre as pessoas que fazem a Equipe de Fibra, sobre o que a corrida tem significado pra nós. Mas, agora que acabou a Maratona, se instalou uma espécie de quietude, acho que é mesmo a sensação de que a gente fez algo bem especial, sem excesso de vaidade nem falsa modéstia, mas aquele sentimento lá dentro,uma vozinha lá no fundo,dizendo, repetindo: "Você conseguiu! Você conseguiu!" Esse sentimento é por demais pessoal, difícil de ser compartilhado. Posso dizer que tenho dentro de mim uma emoção que não explodiu na hora, achei que ia cair em prantos, confesso. Isso não aconteceu, ela ficou toda comigo, reverberando. E acordei diferente, acordei mais humilde, mais feliz comigo e com os outros e cheia de admiração pelas pessoas. 
Pessoas anônimas que eu cruzei pelo caminho e que correndo sozinhas ou em grupo iam, cada uma a seu jeito, dando uma lição de superação, de amor à vida, de amor ao esporte, de leveza, de alegria, de esforço e determinação. Também cheia de admiração por pessoas bem próximas a mim como a Thamiris, o Douglas, o Marcus Alexandre, a Letícia, a Márcia Torres, o Marcos Marini, o João, o Rodrigo Troyack, o Rafael Grassi, meu filhote Pedro e o pai dele, Cristiano. Pessoas que dentro de seus cotidianos, projetos, trabalhos, sonhos, tratamento, escola, compromissos, criaram um espaço na vida para se dedicar a um projeto. Ver todos ali, e também a minha filha Luiza, a nossa Lourdes, a linda família do Alexandre, mais amigos queridos como a Ariane, Flávio Flavio Pontes, o Thomaz Barcellos me encheu de alegria.

Mas não seria justo se eu não falasse do que mais me faz continuar sorrindo pelos cantos, apostar em novos sonhos, e, é claro, continuar comendo batata doce. É o Pedro. Terminar a corrida com ele ontem foi a maior emoção dos 42km. Estava chegando próxima à linha de chegada e nada. Não via ninguém, não achava ninguém. Foi me dando uma agonia, comecei a ficar preocupada. Será que algo tinha dado errado? Será que o Pedro não tinha conseguido fazer bem a prova dele? Será que a Lourdes e a Luiza não tinham achado todo mundo? Puxa! É muita gente! Não tinha como dar certo... Aí eu vi um grito e vi ele correndo na minha direção com a medalha no pescoço. Tinha pulado a grade de proteção e eu soube, estava nos seus olhos, que tudo tinha dado certo. Lá estava o meu filhote com aquela alegria imensa que ele traz no peito, me dizendo: "Vem mãe, falta bem pouco, vem que eu te ajudo!"

Corri também para a grade e dei um beijo na minha filhota, que estava lá com aquele sorriso discreto, cheio de orgulho, mas que ia ficar esperando o papai passar. 

Fomos eu e Pedro correndo, cruzamos a linha de chegada, ele me levando. Disse para ele que nem acreditava que tinha acabado, ele disse que estava tudo bem, tudo ótimo. Perguntei da corrida dele, e ele disse: "Mãe, foi sensacional, eu me senti perfeito!!! Eu adorei." essa frase foi o melhor presente de seis meses de treinamento e de sei lá quantos quilômetros rodados.

Depois chegou o pai dele, correndo com a nossa filhota e foi lindo! Ela não podia estar mais orgulhosa. Ele, embora tenha demorado para se convencer disso, conseguiu correr uma maratona, treinando com muita dificuldade de tempo, fazendo treinos curtos, que cabiam na agenda, mas bem longe do ideal para uma prova desse tamanho. Ele que no fundo, é um dos principais responsáveis por tudo isso, por toda essa festa! Ele e ela juntos me encheram de orgulho! No ano que vem, quem sabe, teremos quatro medalhas....

A vida de todos nós sempre tem muitos momentos, muitas coisas difíceis e bonitas acontecem na vida de todo mundo. Nisso não somos especiais, nem melhores do que ninguém. Mas peço licença para marcar que poder subverter, em alguns momentos, uma pauta, por demais marcada na doença, na dificuldade, no trabalho que dá cuidar de alguém, ou cuidar de si mesmo, que vem com uma doença crônica, por outras, mais edificantes é uma grande vitória. E nisso poder, com integridade, ficar feliz e orgulhoso quando for o caso e também, com a mesma intensidade ficarmos apreensivos, tristes e preocupados quando a situação demanda. Aprendendo nesses movimentos, nessas alternâncias, nas nossas "Maratonas" particulares um amor à vida, ao outro e a si mesmo.

 Marise Basso Amaral corre pela Equipe de Fibra