domingo, 26 de julho de 2015

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Gracias a la vida!



Sim, podemos fazer isso! Rumo aos 42 quilômetros!
Na última terça-feira dia 21/07, levantei como de um salto às duas da manhã.  Eu havia ido dormir antes das 22h após colocar as crianças para dormir. De repente podia ser fome, logo tomei um leite. Os minutos se passavam e eu não conseguia pregar o olho. Tentei ver um pouco de tevê: nada feito. Liguei o Kindle: negativo, sem paciência para ler. Fechei os olhos e quase imediatamente tive o que chamo de crise de ansiedade: taquicardia, um pouco de desespero e... lá estava o medo de não completar a prova. Fiz minhas orações, dormi no sofá da sala pra não incomodar ninguém e finalmente, consegui dormir.

Esta foi a primeira vez que tive uma crise de pânico ou ansiedade mais intensa desde o ano passado, quando precisei ficar de licença médica por muitos dias. Aquela situação extrema ocorrida em 2014 foi o sinal de que algo estava indo mal. 

Passado o turbilhão,  decidi voltar a praticar exercícios físicos de forma séria e daí surgiu a maratona, como uma forma de deixar a doença definitivamente para trás. A corrida, que sempre me ajudou a relaxar, aliviar minha ansiedade (exatamente como o Rodrigo trouxe anteriormente), não podia funcionar sozinha, daí a necessidade de psicoterapia, fármacos e, principalmente,  Deus.

Seja como for, passei a terça-feira feira inteira tentando entender o que acontecera. Eu havia ido da euforia à derrota em pouco tempo! Estava (e estou) tão animado com a premência da prova que nunca havia me passado pela cabeça não conseguir completar. Eu havia dito à Dani Sixel e à Fernanda Monteiro que estava preparado. E realmente estou!

Buscando explicações, encontrei algo. Em primeiro lugar, a reportagem passada no Esporte Espetacular de domingo último (veja a reportagem aqui). O corredor que teve uma parada cardíaca no km 18 da Golden Four deste ano no Rio de Janeiro. Exames em dia, treinamento completado sem problemas, 14 meia-maratonas anteriores, mas alguém que não soube ouvir o corpo, afinal tivera um cansaço antes da subida do Joá. Um médico vindo a menos de 100m atrás lhe salva a vida. Anjo da guarda? Deus? Sorte? Acaso? Fatalidade? Não sei explicar. Poderia ter acontecido com qualquer um, mas por que justo com ele? Terei eu a paciência de ouvir meu corpo? Encontrarei ajuda se precisar? Ok, lição número 1 (ou algum número acima de 1 bilhão) aprendida.

Por último, a imagem do Fabinho (um de meus ícones neste esporte tão profissional, e tão amador) quebrando exatamente a uma semana da prova. Uma lesão que apareceu no momento errado e que talvez não possa ser tratada a tempo me fez concentrar-me na minha própria queixa dos últimos meses: meus pés. Estou há um tempo sem conseguir me tratar corretamente. Minhas dores quase sumiram, mas ainda estão lá.

Por este estado de coisas, decidi não treinar ontem (terça-feira). Quero dar descanso aos meus pés e à minha cabeça.

É hora de buscar lá atrás as motivações que me fizeram correr esta distância: minha saúde, o carinho da minha família- uma forma de agradecê-los por tudo: minha mãe e meu pai, por todas as perfeições e imperfeições e por nunca desistirem de mim, meu irmão, amigo e companheiro (talvez de quem eu mais sinta falta na vida), a felicidade que é estar ligado por laços eternos à minha esposa e pelas crianças maravilhosas que me deu. Seja qual for o resultado, sei que estarão lá pra me apoiar como sempre fizeram. Aos meus irmãos da Igreja, meus alunos e colegas de trabalho que me motivam a ir mais longe. Aos colegas corredores e ao Rossy, pela companhia e sorrisos a todo momento. A Deus, minha maior motivação. Não importa o quanto eu corra, só aí encontro paz.

Isabelle e Rodrigo, companheiros deste blog, pela grande equipe que pudemos formar, esperando que esta seja apenas nossa primeira parceria. Sei que vamos conseguir isto juntos.

Everton, seguirei seus conselhos à risca: esta semana será cheia de positividade!!!!! Obrigado pela serenidade e experiência. A chegada é logo ali!

Este é meu último relato antes da prova. Termino deixando uma música de uma das minhas preferidas: Mercedes Sosa. Estivemos presentes na última vez em que esteve aqui no Rio de Janeiro, poucos meses antes de morrer e me surpreendi com a sua garra ao superar suas dificuldades físicas (como locomover-se) para impostar sua voz inconfundível. Por isso, obrigado à vida por tudo o que me dera. Desejo, através dela, que cada um desses anônimos corredores consiga completar a prova, gente como eu, com suas dificuldades, trabalho, família, dramas pessoais. Aos amigos da Upsports minhas especiais orações e o meu muito obrigado!


segunda-feira, 20 de julho de 2015

Vou para a guerra!


Estava na dúvida se escrevia ou não o último post antes da prova, os últimos dias não têm sido fáceis. Mas o objetivo do blog sempre foi compartilhar a experiência da preparação, boa ou ruim, então vamos encará-lo de frente.

O fato é que fui da confiança à dúvida em poucas horas.

Domingo (12/7), fiz meu último longão, 34km. Foi um bom treino como o Tarso falou, nos divertimos e terminei bem, com a sensação de que completaria os 42km se a maratona fosse naquele dia.

Já em casa, tirei um cochilo após o almoço e acordei sentindo a lateral do joelho direito. Sentia ao andar, descer escada... Os sintomas da tal da banda iliotibial que já falei aqui.

Procurei o amigo Bernardo, ortopedista e colega de equipe na Upsports, que me receitou anti-inflamatório, gelo na dor e alongamento. Na segunda, o sintoma não havia sumido. Entrei em desespero, a 13 dias da prova.
Marquei o massoterapeuta para o dia seguinte, Claudinho, um tricolor como eu, super figura. Ainda na segunda, liguei para Sarah, minha fisioterapeuta do pilates, fera, que pediu para que me acalmasse e aconselhou uma consulta com a minha osteopata, a Fernanda. Equipe grande a minha...rs
Consegui um encaixe na quarta e fiquei um pouco mais calmo ao conversar com ela e com o seu exame. Me aplicou ainda a tal da knesio tape.
Na sexta, fiz um treino de 60min, alternando terrenos como orientou a Fernanda, para dar estímulos diferentes ao joelho, mas o incômodo ainda estava lá. No último domingo (19/7), em vez dos 21km previstos, treinei 12km para não forçar, porém, os sintomas não vão embora.
Continuo com anti-inflamatório, gelo, alongamento e fisioterapia. Agora, é descansar o corpo e a mente. Nada de entregar os pontos. Vou para a guerra! 

terça-feira, 14 de julho de 2015

Quebrando barreiras

Depois de ler o post do meu amigo Tarso, não poderia deixar de escrever também.

Meus últimos treinos infelizmente não puderam ser na companhia dessas duas figuras, Rodrigo e Tarso.

Então, venho dizer em poucas palavras e muito emocionada por detrás dessa tela do notebook. Quase que uma confissão, um desabafo online rsrs...

Não sei se irei alcançar a linha de chegada da maratona antes de vocês, nem sei mesmo se irei chegar, mas não desistirei, nem que seja caminhando. Quem sabe??

Os treinos vêm sendo uma carga muito pesada a ser carregada e a parte emocional é a que está me afetando mais penosamente, nunca achei que isso iria acontecer, a vontade de desistir é imensa e tentadora.

Ainda não passei dos 29km nos treinos. Não que isso signifique que não estou preparada fisicamente, mas mentalmente e psicologicamente isso pode ser uma barreira muito grande a ser quebrada no dia da corrida.

Portanto, gostaria de agradecer desde já todos aqueles que estão me apoiando, me dizendo palavras de incentivo e me ajudando a superar o "mental". Rodrigo, Tarso, Rossy, Fabinho, Thiago e principalmente Everton.

Já cheguei até aqui, agora farei de tudo pra chegar ao final.


São em palavras como estas que tento me fortalecer!

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Devagar e sempre: os amigos e a corrida

Daqui a treze dias se tudo der certo eu estarei cruzando a linha de chegada junto com o Rodrigo, um pouco depois da Isa, do Fabinho, do Leo, do Jorge, do Thiago, do Cristiano e da Marise. Na verdade não importa o fato de chegarmos antes ou depois dos outros, mas a eufórica esperança, quase uma certeza: a de que chegaremos. Da ideia de correr a maratona até hoje já se vão quatro longos e intensos meses. Neste período eu, Isa e Rodrigo conseguimos fazer três treinos juntos e a experiência  foi válida, muito agradável.

Por conta de horários, eu e Rodrigo acabamos nos aproximando e fizemos os dois últimos longões juntos: dias 5 e 12 de julho, ambos em domingos, ao contrário dos demais, que treinaram no sábado. Sim, domingo, exatamente porque amigos aparecem exatamente nessas ocasiões. Neste caso na dificuldade de conciliar a vida particular com a prática esportiva. No domingo retrasado eu não poderia treinar no sábado, preparando a festa de aniversário da Marthinha e Rodrigo apareceu prontamente disposto a  trocar seu treino de sábado para domingo, afinal vinha se recuperando de forte gripe, como contou-nos em outro post. Ontem, pelo contrário, o pedido era dele para que treinássemos no domingo por conta de sua pós-graduação no sábado (Rodrigo quer se tornar o pica das galáxias na área de marketing, jornalismo, vendas, gestão, mídias sociais... rsrsrs). Topei na hora, pois prefiro o treino aos domingos. 

No entanto, surgiu um compromisso na Paróquia onde frequento e sou responsável de uma comunidade do Caminho Neocatecumenal e não podia faltar de nenhuma forma. Resultado: pedi ao Rodrigo que nos encontrássemos na Praia de Icaraí às seis da manhã (!). Isso porque eu sairia cerca de 25 minutos antes pra dar tempo de aparecer na reunião ainda de manhã.

Confesso que não foi nada agradável correr com a Estrada Fróes totalmente às escuras, afinal também tenho medo de ser vítima da violência que assola a nossa bela cidade de Niterói. Segui em frente, certo de que aquela seria a última vez em que eu me levantaria às cinco da manhã para treinar para a Maratona do Rio.

Tudo correu conforme o planejado: corremos soltos, com a sensação de que ainda podíamos fazer mais. Íamos conversando e relaxando, era divertido ganhar os quilômetros que se acercavam! Desta vez não só eu falava, mas Rodrigo também conversava, sinal de que o treino não era um fardo. Em certo momento eu o disse que estávamos indo muito devagar, mas desistimos de apertar o passo, pois não era tão lento assim. 

Nunca escondi que o meu maior objetivo era terminar a prova e se estivesse inteiro ao fim, melhor.

É inevitável a imagem da lebre e da tartaruga vir à mente, na certeza de que nossas passadas firmes nos levarão ao final.

Encontrei esta imagem na web. Já diz tudo! 

Espero que no dia 26 de julho, apesar do nervosismo e da ansiedade, eu possa me divertir durante a prova, exatamente como eu me diverti neste domingo.

Estas duas semanas que tenho pela frente serão para imaginar como será minha chegada, minha família a me esperar. Vai ser lindo. Vou chorar? Não sei, mas sei que a linha de chegada vai significar também mais um par de amigos (Rodrigo e Isa). É disto que é feito a vida e a corrida.

E como diz o Rossy: "Força na careca"!

domingo, 5 de julho de 2015

O longão mais arrastado, dor e superação


Obrigado, Tarso. Começo este post agradecendo ao amigo desta jornada. Afinal, não fosse ele, neste domingo, não teria completado o treino. Não pelo psicológico, pela parte física mesmo, prejudicada pelas circunstâncias da última semana.

Havia retornado de férias, dois fins de semana sem longões. No domingo passado, fiz 21km, até em um bom ritmo (6min15/km), mas não estava 100%, uma gripe começava a me incomodar.

Na terça, decidi descansar e não treinar, para me recuperar para a quinta-feira. Mas a situação piorou e tive que tomar antibiótico. Então, passei a semana sem correr. O plano passou a ser me restabelecer para o longão do fim de semana: 29km na planilha.

Tarso precisava de companhia para treinar domingo, ele não podia no sábado, e ganhei mais um dia para superar a gripe. Deixei de ir a uma festa na véspera. Não podia abdicar deste treino nas semanas fundamentais de treinamento. Faltam 21 dias para a maratona...

Mas foi sofrido, sem dúvida, o longão mais arrastado. Cheguei antes das 7h no ponto de encontro e, como estava frio, comecei a trotar à espera do Tarso. Quando já havia desistido, com uns 4km de treino, ele apareceu, graças a Deus, porque não teria forças sozinho. Uma companhia faz toda diferença na preparação para 42km, principalmente quando ela te distrai com um repertório inesgotável de conversa...rs

Fomos para o Forte do Gragoatá, encarando duas subidas na ida e na volta; e, de lá, para a Fortaleza Santa Cruz, em Jurujuba, também com subidas no caminho. Estávamos devagar por minha culpa, até aí tudo bem... O problema começou na volta da fortaleza, quando comecei a sentir o joelho esquerdo, perna, tudo... Era como se alguém tivesse amarrado uma corda no meu corpo e me puxasse contra.

Procurei mentalizar a dor como passageira e ela deixou de ser preocupante para pensar em parar. Ao chegarmos em São Francisco, pedi licença ao Tarso para ligar o ipod. Precisava de um gás extra para finalizar. A música me arrastou nos últimos 3km. Ao entrar na Estrada Fróes, logo completei os 29km, mas fui para superação, para ver os 30km no relógio pela primeira vez.

Aos 30km, pausei o relógio e caminhei os últimos metros da Fróes até um ponto de ônibus na Avenida Ary Parreiras, a dois pontos somente da minha casa, menos de 1km, não aguentava mais. Não tinha mais perna. Foi o primeiro longo em que terminei com a sensação de que não prosseguiria se fosse na prova, ao menos teria que andar.

Uma semana difícil, porém, atribuo ao contratempo da gripe. Falta pouco, muito pouco.